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Home»Lançamentos»Guilherme Arantes lança 15 faixas de Interdimensional
Lançamentos

Guilherme Arantes lança 15 faixas de Interdimensional

By Ricardo Sarmiento16 janeiro, 2026Nenhum comentário15 Mins Read
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Pedi a Guilherme Arantes, em 2017, mais uma canção inédita para o álbum que estava produzindo para Gal Costa. Três anos antes, havia feito pedido idêntico e recebemos “Vou Buscar Você pra Mim”, gravada no projeto Estratosférica (2015). Desta segunda vez, ele escreveu “Puro Sangue (Libelo do Perdão)”, incluída no álbum A Pele do Futuro (2018), o último trabalho de canções inéditas da história de Gal. “Guilherme é um gênio”, ela repetia sempre que o nome do compositor surgia. “Ele faz uma música sofisticadíssima, mas que é tão bem acabada que parece simples, toca no rádio, entra na vida das pessoas.”

            Além de Guilherme Arantes em todas as teclas, o time de músicos conta com Alexandre Blanc (guitarras-base e violões), Luiz Sérgio Carlini (guitarras-solo), Gabriel Martini (bateria e percussão), Willy Verdaguer e Milton Pellegrin (baixos). Participam também, em momentos isolados, Teco Cardoso (flauta), Mário Manga (cello), Cássio Poletto (violinos), Marlon Sette (trombone), Sergio Duarte (bateria e percussão) e Scott Ackley (guitarra). Os arranjos de cordas das faixas 7,14 e 15 foram escritos e regidos por Jacques Morelenbaum, e todos os demais por Guilherme.

Acompanhando de perto a feitura do álbum, desde o surgimento das canções até sua finalização, testemunhei o esmero entusiasmado com que o Guilherme trata todas as etapas do processo. Recebi telefonemas eufóricos a cada nova melodia composta, a cada letra escrita. Ouvi sua excitação ao reportar os comentários elogiosos de Sylvia Massy, mixadora americana que já trabalhou com Johnny Cash, R.E.M., Red Hot Chili Peppers e que o comparou a Prince na maneira de lidar com o ofício. Assisti à animação dele nos preparativos para a sessão de fotos com Leo Aversa, que clicou a capa do álbum. E entendi muito de seu método artístico ao observar o impacto que o filme “Chopin: Desejo de Amor” (2002), do diretor polonês Jerzy Antczak, causou em sua forma de ver a própria história.

Sobre o filme, Guilherme me escreveu assim: “Pirei com a história do Chopin. Seu retiro para Mallorca para compor os prelúdios, o romance com George Sand e a difícil relação dele com o mercado da música no auge do Romantismo em Paris. Eu me identifiquei muito. Sempre vi uma linha clara ligando a música de Chopin, Debussy e Tom Jobim. O período áureo do samba-canção e da bossa nova sempre foi matriz fundamental para minha música, mesmo na sua vertente mais pop. Morando aqui na Espanha, vivo a redescoberta particular de um Brasil de outro tempo, da presença constante da harmonia e da melodia como chaves para resgatar um passado tão musical que aponta para o futuro.”

            Esse é o Brasil que Guilherme Arantes quis imprimir em Interdimensional. E talvez só alguém que, como disse Gal, “faz uma música sofisticadíssima, mas que é tão bem acabada que parece simples” consiga realizar um país assim. A música pode tudo.

FAIXA A FAIXA

por Guilherme Arantes

1. “A Vida Vale a Pena” (Guilherme Arantes/ Nelson Motta)

Ao ouvir em primeira mão “O Prazer de Viver para Mim É Você”, meu parceiro Nelson Motta reconheceu uma linhagem: aquela que conecta Chopin (1810-1849), Debussy (1862-1918) e Tom Jobim (1927-1994), tendo o período áureo do samba-canção e da bossa nova como matriz fundamental da minha formação, mesmo quando a música que eu fazia se aproxima de uma vertente mais pop. Ali se renovou o desejo de uma nova parceria nossa. Muitos clássicos do meu repertório nasceram dessa assinatura conjunta, em canções como “Coisas do Brasil”, “Marina no Ar” e “Era uma Vez um Verão”, entre outras. A saudade de voltar a compor com Nelsinho me levou a caprichar ainda mais na feitura da canção, escrita em janeiro de 2025. Assim surgiu a faixa que abre este novo álbum: claramente chopiniana-jobiniana em sua simplicidade harmônica e cromática, e rapidamente assumida como um novo clássico da nossa parceria. Nelson entregou a letra em questão de dias. Ela traz um olhar retrospectivo sobre a vida, marcado por um “otimismo realista” e por uma visão madura do amor na convicção profunda de uma plenitude agregadora de todas as contradições do viver e do sonhar romântico. Um romance menos idealizado e mais real. É uma balada clássica vestida com simplicidade em piano, violão e cordas, com destaque para o coro de inspiração gospel no verso “I believe in love”.

2. “No Mel dos Seus Olhos” (Guilherme Arantes)

As influências vão do pop oitentista de Billy Idol, Brian Ferry e dos suíços do Double à MPB dos anos 90, numa ode à revelação amorosa através do olhar. A curiosidade está num falso final que, aos 2 minutos e 20 segundos, separa a segunda parte do poema. Em tons “caetanísticos” e “buarqueanos”, aflora ali o delírio da letra, que expõe o complexo desafio do cotidiano nas relações amorosas. A escolha é também uma provocação à lógica do mercado radiofônico, que impõe às canções uma duração estritamente funcional. A pausa funciona como uma tentação para que as rádios interrompam a execução, deixando o “papo cabeça” reservado aos ouvintes mais atentos. Uma brincadeira consciente de compositor. Destaques para o baixo de Milton Pellegrin e as guitarras de Alexandre Blanc.

3. “Minúcias” (Guilherme Arantes)

Esta canção nasceu de uma crescente angústia diante do olhar devassador com que o ambiente social, coletivo e digital atua. Ele acaba sendo, no dia a dia, um tribunal de constante e implacável julgamento sobre as escolhas individuais. A felicidade alheia, nesse tempo de vigilância opressora das redes, parece sempre convocar adjetivos, julgamentos e opiniões. Uma (des)humanidade imagética que projeta e constrói tudo a partir do olhar: olhares, câmeras e telas transformados em instrumentos de engano, desencanto e condenação. Diante disso, o amor e as relações precisam resistir, seja aos olhares de desaprovação materializados em comentários e críticas, seja à inveja, seja ainda à admiração exagerada, que beira o desejo incontido e o aliciamento à traição. Destaque para o trombone de Marlon Sette, que pontua a melodia e inaugura a canção com uma introdução magistral.               

4. “Libido da Alma” (Guilherme Arantes)

Traz um estilo híbrido de MPB com soul music brasileira que já visitei em canções que ficaram bastante conhecidas como “Pedacinhos”, no início da década de 80. E marca uma antiga afinidade com o estilo dos teclados de Lincoln Olivetti (1954-2015), dos arranjos de Biafra, Prêntice (1956-2005), Claudia Telles (1957-2020) e Banda Black Rio: uma linhagem nobre que soube misturar bossa nova com soul music. Mais um destaque para o baixo de Milton Pellegrin. O tom do canto foi cuidado para soar ao pé do ouvido, inspirado na escola de João Gilberto (1931-2019) e a delicada emissão que ele ensinou ao mundo. Um cuidadoso aprendizado, uma aventura nova como intérprete.

5. “Intergaláctica: Missão” (Guilherme Arantes)

Balada pop clássica de viés cósmico-filosófico, a canção é uma declaração explícita de amor que se expande até se tornar um diálogo com a Instância Máxima da Criação. Iluminado por uma nova visão do Cosmos, possibilitada por instrumentos recentes e avanços espetaculares da pesquisa científica, o Universo se revela em grandeza e complexidade ampliadas ao olhar fascinado e estupefato da humanidade. As dimensões e distâncias inalcançáveis do espaço-tempo passam a expressar, cada vez mais, a pequenez humana. Mesmo assim, há uma esperança filosófica no ponto em que Ciência e Espiritualidade convergem. Uma epifania recente: a vida inteligente pode ser também uma recriação do Princípio Criador de Tudo. Sou fascinado pelo princípio ao qual damos o nome genérico de Amor. O mesmo Amor ao qual damos um nome genérico e teológico para explicar a Instância Máxima que Tudo Rege. O Princípio fundador e final da Criação, ao qual atribuímos o nome abrangente de Deus, seria algo que carregamos dentro de nós. Talvez aí resida a chave para a libertação da pequenez e da sensação de insignificância humanas. Ao conectar o espírito ao Princípio Criador, tudo se tornaria possível no espaço-tempo. E talvez esse seja o segredo comum a todas as tradições teológicas, uma espécie de meta-tecnologia que nos faria regentes do Todo. Destaque ao baixo de Willy Verdaguer e à bateria de Gabriel Martini.

6. “Enredo de Romance” (Guilherme Arantes)

Embora meu nome tenha sido muitas vezes associado à década de 1980, minhas raízes estão mais profundamente fincadas nos anos 1970, com suas estéticas, referências e iconografias próprias. Dentro deste novo álbum, a vertente pop setentista se manifesta em “Enredo de Romance”, faixa de sonoridade “vintage” que combina influências evidentes de Steely Dan, Doobie Brothers, Rita Lee (1947-2023) e A Cor do Som, por exemplo. A gravação se apoia numa levada guiada por piano elétrico Wurlitzer e guitarras retrô, com destaque para o solo de Luiz Sérgio Carlini, justamente o guitarrista do Tutti-Frutti, que se insere entre as guitarras de acento latino de Blanc. Resultou em um pop brasileiro típico: ensolarado, colorido de verão e repleto de percussão: congas, bongôs, chocalhos, reco-reco e cowbell.

7. “O Prazer de Viver para Mim É Você” (Guilherme Arantes)
Composta para Claudette Soares a partir de um convite de Marcus Preto, a canção visita um gênero clássico da canção brasileira que, até então, eu não tinha visitado como compositor. Acabou por se tornar um portal criativo, abrindo a janela para um universo mágico de sonho, um sonho delicado de brasilidade moderna. A audição recorrente de elementos basais dos anos 1950 e 1960, como Julie London (1926-2000), Chet Baker (1929-1988) e João Gilberto (1931-2019) se soma ao prazer de sentar ao piano para estudar e tocar Tom Jobim (1927-1994), Johnny Alf (1919-2010) e João Donato (1994-2023), mergulhando na riqueza do piano brasileiro, do samba-canção e da bossa nova que marcaram minha infância ainda no período pré-Beatles. Havia ali algo de renascimento. Todo esse caldeirão começou a ferver durante o hiato de 2024 e 2025, fase de longos recolhimentos dedicados à composição. A gravação deste álbum marca o reencontro com o meu piano Steinway no estudio de Avila, agora concluído. A faixa, agora, foi remixada por Sylvia Massy com nova concepção em relação ao single lançado em 2024 para manter unidade sonora com o restante do álbum. O arranjo e a regência são de Jacques Morelenbaum e a gravação aconteceu nos estúdios Biscoito Fino, no Rio de Janeiro.

8. “Luar de Prata” (Guilherme Arantes)

É uma experiência nova para mim: uma valsa brasileira clássica, dentro da tradição do piano brasileiro de Ernesto Nazareth (1863-1934). A melodia tem forte influência dos mestres Pixinguinha (1897-1973), Taiguara (1945-1996), Francis Hime e Chico Buarque, falando da passagem do tempo a partir do olhar da maturidade sobre a paixão amorosa. Com arranjo em piano, cravo Zuckermann e cordas, traz ainda a participação muito especial de Mônica Salmaso no canto. E ainda as clássicas flautas de tradições melódicas brasileiras de Teco Cardoso em um estilo Pixinguinha que homenageia um Brasil terno e delicado que resiste aos tempos modernos.

9. “Sob o Sol” (Guilherme Arantes)

A faixa mais roqueira deste repertório, seguindo uma estética já presente em meus álbuns Condição Humana (2013) e A Desordem dos Templários (2021), desta vez com um acento de bandas como o Led Zeppelin, Jethro Tull, Rush e muito de Peter Gabriel na fase solo. São referências seminais para mim. O guitarrista Luiz Sergio Carlini, o baixista Willy Verdaguer e o baterista Gabriel Martini dão o aspecto de “band rock” para esta faixa, que versa sobre o paradoxo da humanidade diante da realidade quântica do intra-universo em face do extra-universo de proporções descomunais, a natureza meramente energética de toda substância: somos elos numa corrente impossível de se compreender.

10. “O Espelho” (Guilherme Arantes)

A canção teve, a princípio, o subtítulo “Dos Descartes”. Parte da figura humana diante do espelho, diante do próprio envelhecimento: o processo gradual de se acostumar à própria metamorfose sem jamais perceber a truculência do tempo. Há também a visão narcísica da autoimagem projetada como num espelho retrovisor, em que a vida e o mundo se tornam fugidios, voláteis, reduzindo-se a um nada na estrada da existência. Musicalmente, trata-se de um eletropop clássico, com influência mais evidente de Dave Stewart (Eurythmics) e Vince Clarke, meu ídolo total. Ambos são clássicos da música eletrônica mundial e nobres inspirações. Participam da gravação Gabriel Martini (bateria) e o guitarrista norte-americano Scott Ackley (aka Mark James), radicado em Nova Friburgo (RJ). Sua presença resgata um elo histórico e afetivo: no início dos anos 1980, Scott participou das gravações de “Deixa Chover” e “Planeta Água” e do meu álbum de 1982 (o que tem “O Melhor Vai Começar” e “Lance Legal”, entre outras), marcando com suas guitarras uma sonoridade clássica de hits na minha carreira.

11. “Puro Sangue (Libelo do Perdão)” (Guilherme Arantes)

A única faixa em [ritmo] 6/8 do novo álbum é uma versão pessoal de uma composição escrita especialmente para Gal Costa (1945-2002) e lançada por ela em 2016, no álbum A Pele do Futuro. Na letra desta canção, também encomendada por Marcus Preto, é abordada a intolerância de costumes numa onda de radicalização da chamada “guerra cultural”, potencializada pelas redes sociais e expressa em anacronismos dogmáticos. O resultado é um poema em forma de manifesto. Trata-se, aliás, da canção mais antiga deste repertório. No arranjo desta nova versão, destacam-se o violoncelo de Mario Manga e o cravo (harpsichord) Zuckermann, modelo Double-Flemish Ruckers, executado por Guilherme.

12. “Toda Felicidade” (Guilherme Arantes)

Canção foi lançada originalmente no álbum mais recente do Boca Livre, Rasgamundo (2024) e outra encomenda de Marcus Preto, produtor daquele trabalho. Esta minha versão tem contrabaixo acústico e bateria tocada com vassourinhas, imprimindo um delicado tom jazzístico de MPB a uma balada pianística de atmosfera onírica, cuja letra especula a possibilidade de um reatamento amoroso. A guitarra semiacústica de Alexandre Blanc remete, propositalmente, à sonoridade clássica de Barney Kessel (1923–2004), figura fundamental na formulação do estilo da bossa nova nos anos 1950. Um fascínio irresistível para mim, que ainda era criança à época, sob o impacto da chegada de um movimento revolucionário que colocaria o Brasil no centro da moda musical mundial.

13. “50 Anos-Luz” (Guilherme Arantes)

É a faixa de acento mais progressivo de todo o álbum: um tema instrumental de caráter épico, que destaca a banda de Guilherme – a mesma que estará nos palcos da turnê comemorativa que se aproxima e vai percorrer o Brasil em 2026. O importante da composição está na solução harmônica de tons “brasilianistas”, com influência de Heitor Villa-Lobos (1887-1959), mesclada à natureza grandiloquente do rock progressivo. Essa síntese, aliás, aponta para uma das marcas centrais do álbum: o resgate da brasilidade na minha música, em uma dimensão recorrentemente afetiva, num mundo e num momento de descaracterização e padronização mundial, impulsionadas pela conectividade irreversível e dominante. Não por acaso, o álbum também busca esse mesmo espírito na dimensão visual. Recorremos à estética da azulejaria brasileira moderna como referência de design e estilo, presente nas artes gráficas e cerâmicas de Alexandre Mancini (Minas Gerais), como mote estético para criar as fotografias leves e profundamente brasileiras de Léo Aversa. Um Guilherme Arantes brasileiro.

14. “Berceuse” (Guilherme Arantes)

Canção de ninar composta em 2021 especialmente para a interpretação de Alaíde Costa no álbum O que meus Calos Dizem sobre Mim (2022), produzido por Pupillo, Emicida e o amigo e produtor Marcus Preto. Foi uma experiência muito marcante para mim por conta da ternura do tema. Alaíde gravou com violão e outros instrumentos, já que a opção estética do álbum era não ter piano. No meu álbum, esta música vem embalada por meu piano e as cordas densas escritas e regidas por Jacques Morelenbaum, ao estilo de um “romantismo tardio fin-de-siècle” com fortes influências harmônicas do grande mestre Gabriel Faurè, uma paixão absoluta para um compositor romântico. Por fim, com o resultado magistral do arranjo de Jacques Morelenbaum, a referência mais forte nessa faixa acaba sendo a obra-prima “Água e Vinho” de Egberto Gismonti: um marco na vida do Guilherme nos tempos da FAU-USP.

15. “O Prazer de Viver para Mim É Você” – instrumental (Guilherme Arantes)

Encerrando o álbum, resolvi publicar uma versão “cinematográfica” da melodia “O Prazer de Viver para Mim É Você”, em que o ingrediente principal passa a ser o tempo. Um tempo que nos maltrata e aprisiona, mas que pode ser transformado por nós em uma dimensão fluida, propositalmente lenta, em oposição à pressa onipresente do mundo. A intenção é criar uma atmosfera de sonho e devaneio, à semelhança dos temas pianísticos do chamado “cinema de arte” (especialmente o europeu), reflexivo e intenso na emoção, uma moda maravilhosa da arte mundial que tanto marcou minha adolescência nos anos 60 e 70. A faixa encerra o disco como um último delírio, uma epifania de amor, a saudade de um futuro que um dia se pintou no imaginário de um mundo talvez impossível, mas incontornável na nossa emoção de viver.

Guilherme Arantes

Lançamento: Coaxo do Sapo/Virgin Music

Turnê “50 Anos-Luz”

Ingressos: www.50anosluz.com

07/03/26 – São Paulo/SP – Espaço Unimed

14/03/26 – Rio de Janeiro/RJ – Vivo Rio

21/03/26 – Curitiba/PR – Teatro Positivo

11/04/26 – Recife/PE – Teatro Guararapes

18/04/26 – Belo Horizonte/MG – Minascentro

25/04/26 – Porto Alegre/RS – Araujo Viana

09/05/26 – Ribeirão Preto/SP – Multiplan Hall

15/05/26 – Belém/PA – Assembléia Paraense

16/05/26 – Manaus/AM – Studio 5

22/05/26 – Vitória/ES – Espaço Patrick Ribeiro

23/05/26 – Brasília/DF – Centro de Convenções Ulysses Guimarães

30/05/26 – Santos/SP – Convention Center

www.guilhermearantes.com.br

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Ricardo Sarmiento
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