Análise de comportamento do público, vendas e engajamento passa a influenciar desde o planejamento e a definição de formatos até a gestão de riscos e a avaliação de retorno econômico no setor.
O mercado de eventos no Brasil cresce em escala e complexidade. O país figura entre os maiores mercados globais de entretenimento ao vivo em volume de ingressos vendidos e o setor movimenta mais de R$ 300 bilhões por ano, segundo estimativas da ABEOC e do Sebrae, o equivalente a cerca de 4,3% do PIB nacional. Nesse contexto, produzir eventos deixou de ser apenas uma questão de experiência e repertório. Decisões estratégicas passam, cada vez mais, a ser orientadas por dados.
Um evento começa muito antes do palco ser montado e não termina quando o público vai embora. Ao longo de todo o processo, informações são geradas de forma contínua, desde acessos a páginas, comportamento de navegação e respostas a campanhas até histórico de compra de ingressos, padrões de engajamento e interações durante a experiência ao vivo. Esse conjunto de dados vem alterando a forma como formatos, horários, estruturas, capacidade e comunicação são definidos.
A lógica aproxima o setor de eventos de áreas como e-commerce, streaming e marketing digital, onde decisões são sustentadas por métricas, modelos de previsão e leitura constante do comportamento do usuário. No universo dos eventos, essa abordagem começa a substituir escolhas baseadas apenas em intuição por análises mais objetivas, com impacto direto na previsibilidade financeira e na redução de riscos.
Antes mesmo da abertura das vendas, dados de navegação e campanhas digitais ajudam a identificar perfis de público, entender quais canais concentram maior interesse e apontar o momento mais eficiente para lançar ingressos e ações promocionais. O planejamento deixa de ser estático e passa a ser ajustado ao longo do tempo, conforme novas informações são incorporadas.
A venda de ingressos também ganhou outro papel. Plataformas especializadas passaram a concentrar dados sobre demanda, recorrência, resposta a preços e comportamento do consumidor, tornando-se um ponto central de leitura do evento. Essas informações ajudam produtores a antecipar cenários, ajustar estratégias e tomar decisões mais consistentes do ponto de vista financeiro.
Segundo Lucas Miranda, CEO da Byma, o ingresso passou a ocupar uma função estratégica no ecossistema do evento. “Ele conecta intenção, comportamento e conversão. Quando analisado de forma estruturada, oferece sinais claros sobre o que funciona, para quem e em qual contexto”, afirma.
Durante o evento, os dados continuam circulando. Check-ins automatizados, aplicativos de engajamento e interações ao vivo permitem ajustes operacionais em tempo real, desde fluxos de público até comunicação e ativações no local. A produção deixa de ser apenas execução e passa a operar com leitura contínua do que acontece no ambiente.

No pós-evento, o cruzamento dessas informações permite avaliar retorno financeiro, engajamento e potencial de recorrência. Mais do que um balanço, os dados se tornam insumo para decisões futuras, alimentando um ciclo de aprendizado que influencia novos projetos.
“O uso de dados não elimina a experiência nem a sensibilidade de quem produz eventos, mas muda o peso das decisões. O que antes era definido majoritariamente por intuição hoje pode ser testado, medido e ajustado. Isso traz mais previsibilidade financeira e permite que o setor amadureça como negócio”, afirma Lucas Miranda, CEO da Byma.

