Disco reúne composições autorais, releituras e colaborações, articulando música nordestina, rock alternativo e referências da cena recifense dos anos 1990. O trabalho conta com participação de Lucas Silveira, da banda Fresno, além de Igor de Carvalho, e tem produção assinada por Léo D, da Mundo Livre S/A, em parceria com Rafael Giordani.
A banda pernambucana SONIKA apresenta o álbum Colateral, trabalho que sintetiza o percurso do grupo desde sua formação, em 2022. O disco reúne composições autorais, releituras e faixas inéditas desenvolvidas a partir da circulação por palcos, do contato com diferentes públicos e das mudanças na formação da banda ao longo desse período. A cena recifense dos anos 1990 aparece como referência conceitual e afetiva do álbum, relida a partir de uma perspectiva atual, sem romper com os elementos que estruturam a identidade do grupo desde o início.
Em Colateral, a SONIKA articula referências da música nordestina com abordagens contemporâneas. Frevo, maracatu, coco e caboclinho dialogam com rock alternativo, indie rock, punk, nu metal e música eletrônica. Guitarras, metais, percussões tradicionais e sintetizadores convivem ao longo do repertório, organizados a partir de contrastes e sobreposições que orientam a construção sonora do disco.
O título Colateral surgiu após a maior parte das composições e faz referência aos efeitos acumulados da experiência coletiva da banda. O álbum parte da ideia de consequência, entendendo o disco como resultado dos encontros, deslocamentos, aprendizados e transformações vividas ao longo do caminho.
A capa traduz esse conceito ao reunir elementos simbólicos relacionados à memória, ao corpo e ao acúmulo de experiências. As referências são organizadas como uma estrutura única, formada por camadas que se conectam, refletindo o caráter coletivo do processo de criação e sua dimensão humana.
A SONIKA é formada por Rafael Giordani, vocal e guitarra, Diogo Velho Barreto, guitarra, Edu Nogueira, baixo, e Peu Lima, bateria e voz. Colateral é o primeiro álbum completo gravado com Peu Lima na bateria e marca também a consolidação de Edu Nogueira na formação, cuja entrada influenciou diretamente os processos de criação musical, além da construção estética e da comunicação da banda.
O álbum foi produzido em parceria por Léo D, integrante do Mundo Livre S/A, e Rafael Giordani, com gravações realizadas no Estúdio Pólvora, no Recife. Além da produção, Léo D assina os sintetizadores e teclados, responsáveis por parte das camadas sonoras do disco. O processo criativo foi marcado por maior abertura às contribuições individuais dos integrantes e pelo aprofundamento das colaborações internas e externas.
Colateral conta com participações de Silvério Pessoa na faixa “Acumulador”, Lucas Silveira e Igor de Carvalho em “Atirador”, releitura da composição de Lula Queiroga, além de Fred 04, da Mundo Livre S.A., na faixa bônus “Candoca”. O disco também reúne contribuições de Luca Teixeira e Nilson Freitas na percussão e de Liudinho Souza, Fabinho Costa e Nilsinho Amarante nos metais, músicos ligados à Banda Sinfônica do Recife. As participações ampliam o diálogo entre tradição, cena local e diferentes gerações da música pernambucana.
Além do repertório principal, o álbum inclui duas faixas bônus. “Capricorniana” é uma releitura da composição de Tagore Suassuna e João Cavalcanti. “Candoca”, lançada originalmente como single em 2024, é assinada por Rafael Giordani e conta com a participação de Fred 04, estabelecendo um vínculo direto com o bairro de Candeias e com a história do manguebeat.
O lançamento do álbum é acompanhado pelo videoclipe da faixa “Acumulador”, que parte da metáfora do acúmulo material, emocional e simbólico para refletir sobre memória, excesso e identidade. Objetos cotidianos assumem função narrativa e constroem uma linguagem visual que transita entre o cotidiano e o surreal. O projeto inclui ainda uma série de seis episódios de bastidores, com entrevistas com equipe e elenco, ampliando o registro do processo de criação do álbum.
Colateral marca uma nova etapa da SONIKA, com maior definição estética e amadurecimento artístico. O disco reafirma Recife como centro conceitual do projeto e apresenta uma síntese das experiências vividas pela banda, apontando para desdobramentos futuros sem romper com sua base cultural e musical.
Ouça: :https://youtu.be/yUvkGDRD5e0

