O quinto episódio dessa primeira temporada de 7, apresentado pela mentora Monique Dardene, chega com um dos convidados mais especiais, trata-se de Marcelo Beraldo, diretor e curador musical do festival Lollapalooza Brasil, desvendamos suas raízes musicais, profissionais e como ele chegou a ser um dos principais ” players do mercado” (eu viro os olhos escrevendo isso haha. Mas o tem de gente que gosta) na música hoje no Brasil. De certo uma das pessoas mais influentes e mais legais também!
Beraldo abriu seu coração em uma conversa que passeia pela memória afetiva com o pai, os bastidores do line-up dessa edição e a diferença entre escutar e ouvir música.
Assista ao programa na íntegra pelo link aqui:
O Analógico no Mundo Digital: A Escuta como Ato de Presença
Logo no início, Beraldo explicou como navega no mar de opções do streaming. Para ele, a tecnologia é uma ferramenta poderosa de acesso, mas seu método de consumo é quase artesanal. “Eu uso o streaming de uma maneira que emula o analógico”, definiu. Sua prática é a da pesquisa profunda, ouvindo discografias completas na ordem cronológica, um ritual que transforma a escuta em uma jornada e não apenas em um pano de fundo.
Herança Paterna e a Prova dos 100 Anos
O primeiro contato de Marcelo com a música foi através do pai. A imagem é forte na memória: acordar aos finais de semana e ver o pai ouvindo Beethoven, fumando charuto, de olhos fechados. A Nona Sinfonia foi seu primeiro disco escolhido no programa, representando a gênese de tudo. O pai tinha uma visão rigorosa sobre o que era arte e provocava o jovem Marcelo: “Se essa música que você está ouvindo daqui a 100 anos ainda existir, você pode falar que isso aqui é uma boa música”
Do Mercado Financeiro ao Restaurante: A Música como Negócio (e Paixão)
A trajetória de Beraldo até o posto de curador do Lollapalooza é pouco convencional. Aos 22 anos, trabalhou no mercado financeiro, inspirado pelo filme “Wall Street”. Após uma bem-sucedida passagem por um banco no setor de investimentos, pediu demissão e embarcou em um sabático de três anos e meio que incluiu Austrália, Indonésia, Havaí e África do Sul. “Um dos momentos mais importantes da minha vida, de auto-conhecimento”, relembra.
De volta ao Brasil, abriu o restaurante japonês JAM, que completa 24 anos, e onde a música ao vivo sempre foi protagonista. Foi ali, na convivência com os músicos, que o negócio tomou forma. Ele fundou a Barong, produtora artística, e aplicou a visão de profissionalização aprendida nos bancos. Um de seus ensinamentos é pragmático: em cursos de music business, ele diz para os alunos começarem pela planilha. “Esquece a música num primeiro momento. Se a planilha não estiver bem feita, não vai ter música. Se a planilha parar de pé, a música vai vir.”

Os Bastidores do Line-up do Lolla e o Impacto de 2026
Convidado para ser diretor da Geo (empresa da Globo) em 2010, Marcelo participou ativamente das negociações que trouxeram o Lollapalooza ao Brasil em 2012. Ele revelou como a aliança com Colômbia e Chile criou uma “rota sul-americana” que otimiza a vinda de artistas, que conseguem fazer de 4 a 6 shows em 10 ou 15 dias.
Sobre o line-up de 2026, que gerou grande impacto no mercado, ele admite: “Não tinha certeza se ia acontecer dessa forma. Foi um choque positivo, mas que traz a responsabilidade de manter o nível, e não é fácil.”

Lola: A Filha, o Nome e o Legado
No bloco mais emocionante, Marcelo revelou a origem do nome de sua filha, Lola. “Ela foi feita depois de um after do Lollapalooza. Minha esposa, Andressa, lembrou que foi naquele dia. Na brincadeira, chamávamos de Lola, e ficou.” O olhar que ele dedica à filha se confunde com o olhar que o pai dele lhe dedicava. “A coisa que mais gosto de fazer são as nossas conversas”, diz, definindo a paternidade como a essência do que ele é: “pai antes de tudo.”
Ao final, a definição de um bom curador musical, na visão de Beraldo, é simples e generosa: “É aquele que entrega um festival viável e que as pessoas gostam. O mau curador é o que cai na própria egotrip, colocando apenas o que reflete o seu próprio gosto.”

