É difícil compreender o porquê dos grandes festivais brasileiros ignorarem completamente a existência de Bryan Adams, o aclamado e reverenciado cantor, compositor e produtor musical canadense, dono da voz icônica por trás de mega hits atemporais como “Heaven”, e um dos mais bem sucedidos artistas das décadas de 80 e 90.
Com 66 anos de idade e cerca de 50 de carreira, Bryan já revelou que nunca se apresentou aqui no Rock in Rio simplesmente porque jamais fora convidado. Felizmente, temos casas como o Qualistage, no Rio, e produtoras como a Move Concerts, responsável por essa bem-sucedida “Roll With The Punches – Brasil Tour 2026”, para proporcionarem aos fãs brasileiros o privilégio de assistir ao vivo a performance de seu carismático ídolo e ouvi-lo cantando de pertinho, de uma maneira bem intimista e diferente da experiência de um mega festival.
Bryan Adams é a voz marcante voz por trás de algumas das maiores baladas românticas de todos os tempos. E para a alegria das milhares de pessoas que lotaram o Qualistage, nenhuma delas ficou de fora do setlist. O show começou com ele cantando no meio do público, num tablado montado bem no centro da pista da renomada casa de shows carioca, para a surpresa e alegria de todos. Ele estava entre nós e literalmente no meio de nós.

Um dos maiores destaques da noite aconteceu já na parte final do show, quando ele cantou o fenômeno “(Everything I Do) I Do It For You”, tema do blockbuster “Hobin Hood, O Príncipe dos Ladrões”, de 1991, estrelado por Kevin Costner, e um dos singles mais vendidos da história, que rendeu a Bryan Adams a conquista do Grammy de melhor canção escrita para cinema e televisão, e a indicação ao Oscar de Melhor Canção Original. A casa veio abaixo logo nos primeiros acordes, e no momento do primeiro refrão, Bryan desceu do palco e chegou junto da plateia, subiu na grade e cantou nos braços da galera. Foi um dos momentos mais emocionantes dessa noite inesquecível e marcante para todos que estavam ali presentes. A música foi cantada pelo Qualistage inteiro.

“Please Forgive Me”, outra balada dos anos 90 marcada pela indefectível e graciosa voz rouca de Adams, também empolgou o público, que cantou a plenos pulmões o seu refrão, assim como “Have You Ever Really Loved a Woman”, tema do filme “Don Juan DeMarco”, estrelado por Johnny Depp, Marlon Brando e Faye Dunaway, mais uma obra de Bryan Adams indicada ao Oscar de melhor canção original. O Qualistage a cantou do início ao fim, num coro uníssono, desde a sua característica introdução flamenca marcada pelos floreios do violão espanhol de Paco de Lucia (na gravação original de Adams) e reproduzida ao vivo no palco pelo talentoso guitarrista da banda. O público foi ao delírio.
Mas a minha grande ansiedade era mesmo pelo tão aguardado momento de ouvir o hino “Heaven” ao vivo, diante do homem, em carne, cordas vocais e osso. Porém, não foi bem da maneira que eu esperava. Não que tenha sido ruim ou decepcionante, de forma alguma e muito longe disso. Mas, como era o primeiríssimo show do Bryan Adams da minha vida, eu pensei que ele fosse cantar a versão original, gravada em 1983, uma balada rock mais lenta e que conquistou o mundo todo por diversas gerações. Só que ele apresentou uma versão que eu chamaria de “balada pop”, um pouco mais acelerada, com outro ritmo e arranjo. Assim como eu, o público também não a identificou de início, até porque ele a emendou com a música anterior, sem um intervalo entre elas. Somente quando ele cantou os primeiros e nostálgicos versos… “Oh, thinking about our younger years”… é que caiu a ficha. Que momento! Foi de arrepiar! A plateia o acompanhou e deu show, cantando bem alto a música inteira. Ele adorou, foi uma catarse coletiva. Na opinião do jornalista que vos escreve, esse foi o ápice do show. The greatest moment of the night!
Apesar de não ter sido a versão original, foi maravilhoso do mesmo jeito e, mais do que isso… um privilégio inenarrável ouvi-lo cantar “Heaven” ao vivo, com aquele vozeirão todo de verdade e sem qualquer tipo de playback, a poucos metros de mim. Parecia um sonho e a plateia estava visivelmente emocionada. No entanto, espero ter uma nova oportunidade futuramente de poder ouvi-la do jeitinho que a conheci, ou seja, com ele cantando a versão original ao vivo, novamente bem na minha frente.
Músicas como “Somebody”, “Summer Of 69” e “Cuts Like a Knife”, entre outras, também empolgaram bastante o público, mas nada comparado ao frenesi causado pelas imbatíveis e infalíveis baladas do mestre dos mestres delas. Foi um show memorável e histórico para os fãs de Bryan Adams e que marca de forma extremamente positiva a história do Qualistage. Jamais esqueceremos desse 6 de Março de 2026, valeu cada segundo. Volte sempre, Bryan.


pics by @Dantas Jr

