Disco reúne poesia falada, colagens sonoras e experimentação do trio Chelpa Ferro em colaboração com o artista carioca, com produção de Thiago Nassif e lançamento pelo selo Outra Música, de Chico Dub.
Depois da pandemia, o ruído humano parece ter aumentado no planeta. Entre vozes, máquinas, interferências e tensões urbanas, o cotidiano tornou-se mais estridente — ambiente que ecoa em “Pesadelo Ambicioso”, colaboração entre Fausto Fawcett e o trio Chelpa Ferro.
O álbum marca o encontro entre trajetórias que se cruzam há décadas: é o quarto disco do jornalista, compositor, cantor e escritor carioca e, ao mesmo tempo, o sétimo do grupo formado por Barrão, Sergio Mekler e Luiz Zerbini, referência nos campos da música experimental e da arte sonora. Um trabalho que transforma esse excesso de sons, estímulos e colapsos em matéria de criação, condensando experiências, linguagens e obsessões em permanente fricção.

Através de 10 faixas em vinil (reagrupadas em 13 na versão digital), o trabalho articula guitarras, baixo, bateria eletrônica, teclados, synths, samplers, gravações de campo e ruídos, criando uma arquitetura sonora que sustenta a poesia falada de Fawcett. Não se trata de canções no sentido tradicional, mas de pulsos, ritmos, melodias em loop, texturas e interferências que dialogam diretamente com o texto de Fausto em seu característico estilo: frenético, delirante, hiperurbano, apocalíptico, debochado, ácido, provocativo.
Apresentado pela primeira vez em formato instalativo no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília, em 2021, dentro do projeto Audiodrama, com curadoria de Chico Dub e César Augusto, “Pesadelo Ambicioso” atravessou diferentes suportes antes de se fixar como disco. Em 2022, ganhou versão em livro, com edição da Numa Editora, e em 2024 foi apresentado em caráter performativo no Rio de Janeiro, durante o Festival Novas Frequências. Agora, finalmente, assume sua forma definitiva em áudio.
Sob a produção de Thiago Nassif — também responsável por tocar diversos instrumentos no disco e participar da versão ao vivo —, “Pesadelo Ambicioso” constrói uma paisagem de inquietação, precariedade e perturbação. São estados que atravessam cotidianos cada vez mais agudos e nublados, atravessados por interferências mentais, emocionais e tecnológicas. Entre falas, ruídos e cadeias de efeitos, o disco dá forma a um entretenimento precário e instável: um circo de gambiarras, dispositivos e colapsos sonoros.
“Pesadelo Ambicioso” é um lançamento do selo Outra Música, nova plataforma dedicada à música experimental brasileira, idealizada por Chico Dub, diretor do Festival Novas Frequências e curador de projetos voltados à escuta, à arte sonora e às práticas musicais fora da norma.

Pesadelo Ambicioso, disco físico para compra:
https://outramusica.bandcamp.com/album/fausto-fawcett-chelpa-ferro-pesadelo-ambicioso
Escute o álbum nas plataformas:
https://tratore.ffm.to/pesadeloambicioso
Bio Fausto Fawcett
Jornalista, compositor, cantor e escritor, Fausto Fawcett apareceu na noite carioca dos anos 80 com suas esquetes misturando teatro, música e poesia. Gravou os discos “Fausto Fawcett e os Robôs Efêmeros” (1987), “Império dos Sentidos” (1989) e “Básico Instinto” (1993). Está para lançar o quarto, “Favelost, o Baile”. Mergulhando ainda mais fundo na urbanoia já presente em seus discos, escreveu os livros “Santa Clara Poltergeist” (Echo, 1990 / Encrenca, 2014), “Básico Instinto” (Relume-Dumará, 1993 / Encrenca, 2014), “Copacabana Lua Cheia” (2000, Dantes), “Favelost” (Martins Fontes, 2012), “Pororoca Rave” (Tinta Negra, 2015) e “Pesadelo Ambicioso” (Numa, 2023). Escreveu cinco peças, sendo três delas em parceria com Hamilton Vaz Pereira: “Olhos Ardentes” (1985), “Amizade de Rua” (1986) e “Ataliba, a Gata Safira” (1988). Participou como ator e escreveu, com o diretor Henrique Tavares, “Cidade Vampira”, peça que tinha como mote o crime e a história de Suzane von Richthofen (2005), e “Salomé by Fausto Fawcett” (2016), encenada pelo grupo curitibano Companhia do Urubu, sob direção de Carolina Meinerz. Em 2024, chegou aos cinemas o documentário “Fausto Fawcett na Cabeça”, dirigido por Victor Lopes e produzido por Roberto Berliner (TV Zero).
Bio Chelpa Ferro
Chelpa Ferro foi criado em 1995 pelo pintor Luiz Zerbini (1959), o escultor Barrão (1959) e o editor de cinema Sergio Mekler (1963). Os integrantes do grupo, residentes no Rio de Janeiro e com renomadas trajetórias profissionais, aliam suas experiências pessoais e exploram possibilidades durante as criações em conjunto. O grupo destaca-se na produção de arte contemporânea brasileira ao utilizar elementos sonoros justapostos aos visuais em suas obras. A abordagem interdisciplinar é revelada pela aparente desorganização meticulosamente orquestrada, criando um espaço de fronteira entre os objetos articulados, o público e o som — importante matéria de suas performances, instalações e shows.
Bio Thiago Nassif
Músico, compositor e produtor musical atuante na emergente cena da nova música autoral brasileira, utiliza formas desconstruídas de tocar guitarra elétrica, buscando, através de loops e colagens sonoras, exaltar o fator percussivo e textural do instrumento. Tem quatro álbuns lançados desde 2008. Seu terceiro álbum “Três” (2016) e o quarto “Mente” (2020) foram produzidos pelo artista Arto Lindsay. Como produtor musical, trabalhou em discos de Ana Frango Elétrico (“Mormaço Queima”), Ava Rocha (“Nektar”), Arto Lindsay (“Cuidado Madame”), Chelpa Ferro (“Hip Hop”), Natália Lebeis (“Choque Eletrostático”), entre outros.
“Pesadelo Ambicioso”
Outra Música Records, 2025
1 – Pesadelo Ambicioso / Sabão Minerva
2 – Forasteiro Mental
3 – Ruído Humano
4 – Demônios da Insignificância
5 – Grito Motor
6 – Candeia Stones
7 – Funk Insinuante
8 – Máquina de Pegar Boneco
9 – Moradias à Deriva
10 – RipaVivaldi / Mendigo Vinil / Almanaque de Fatalidades
Textos: Fausto Fawcett
Chelpa Ferro: Barrão, Luiz Zerbini e Sergio Mekler
Produzido por Thiago Nassif e Chelpa Ferro
Gravado nos estúdios Casa do Jorgito (2021) e Marini Estúdios (2025)
Engenheiros de som: Thiago Nassif (2021) e Leo Shogun Moreira (2025)
Edição, mixagem e masterização digital: Thiago Nassif
Masterizado para vinil no Reco-Master por Arthur Joly
Capa: Barrão
Computação gráfica: Daniel Barreto
Impressão do encarte e gravura: João Sanches / Estúdio Baren
pics by ivi maiga bugrimenko

