O artista e produtor musical brasileiro Perseus apresenta ao público o EP Ballroom, um trabalho que mergulha na estética das pistas e na força simbólica da cultura ballroom, traduzindo em música um universo marcado por identidade, resistência e expressão. Composto por 18 canções, o projeto reúne faixas que evidenciam a diversidade sonora e conceitual do artista, com destaque para “Dupree”, “Crossfunk”, “Roller Vogue”, “Statement” e “Mirrorball”. Com uma proposta que vai além do entretenimento, o EP se posiciona como uma obra conceitual que dialoga com história, comportamento e inovação sonora.
Segundo o artista, o EP nasce como uma evolução direta de seu trabalho anterior. “O Ballroom nasceu como uma evolução experimental do meu trabalho anterior, o Frame By Frame, que considero um irmão de sangue deste novo projeto”, afirma. Ele explica que, após um disco mais introspectivo, decidiu ampliar o olhar. “Percebi que era hora de parar de olhar apenas para a minha vida pessoal e voltar meu olhar para o externo. Eu queria falar sobre pessoas.”

A construção sonora do projeto reflete um processo técnico e sensorial rigoroso. Com influências que transitam entre o house, o R&B e o eletrônico melódico, Perseus buscou criar uma identidade própria. “Cada batida significa algo. Cada synth foi desenhado para remeter o ouvinte a um catwalk, ao passo exato de uma modelo na passarela”, destaca. O artista ainda propõe uma fusão de estilos ao criar o conceito de “CrossFunk”, definido por ele como “uma fusão que junta gerações e estilos musicais”.
Inspirado por nomes como Michael Jackson, Madonna, The Weeknd, Whitney Houston e Anitta, Perseus opta por um recorte narrativo diferente. Em vez de reverenciar apenas grandes ícones globais, ele direciona o foco para as origens do movimento. “Eu não queria apenas enaltecer esses ícones, mas colocar sob os holofotes as pessoas reais, as pioneiras que construíram a cultura ballroom”, afirma.
O conceito do EP também se ancora em uma forte carga simbólica. Ao conectar os ballrooms nova-iorquinos dos anos 70 com manifestações contemporâneas, como os bailes funk, o artista evidencia uma linha contínua de expressão cultural. “São espaços de resistência, de brilho e de comunidade”, resume.
O processo criativo, segundo ele, partiu de uma base histórica sólida aliada à experiência pessoal. “Sem a base histórica do que aconteceu no Harlem, o projeto seria raso”, diz. Ao mesmo tempo, sua vivência como integrante da comunidade LGBTQIA+ também permeia o trabalho. “Você não escolhe isso, você simplesmente pertence. E a nossa cultura é belíssima.”
Outro ponto central do projeto é o uso de tecnologia no desenvolvimento sonoro. Perseus assume uma postura pragmática em relação à inteligência artificial. “Eu a enxergo como uma ferramenta revolucionária de sound design”, afirma. Ele explica que utilizou IA para manipular sons captados de forma orgânica. “Não se trata de substituir o artista, mas de promover uma arborização de novos sons.”
Com o lançamento de Ballroom, o artista já projeta os próximos passos. “Sou um criador incessante. Já tenho o esboço de um novo single, talvez um ‘Ballroom 2.0’”, revela. Além disso, confirma que o trabalho ganhará vida nos palcos em breve. “As apresentações ao vivo já são uma realidade para um futuro muito próximo. Este é um álbum denso e eu não entregarei nada menos do que a excelência que ele pede.”

Com uma proposta estética consistente e discurso alinhado às transformações contemporâneas da música, Perseus se posiciona como um nome a ser observado dentro da nova cena pop eletrônica.
Ballroom e Catwalk
O ballroom é um movimento cultural que surgiu nas comunidades negras e latinas LGBTQIA+ de Nova York, especialmente a partir dos anos 1970, como um espaço de expressão, pertencimento e resistência. Estruturado em “casas” que funcionam como famílias escolhidas, o ballroom promove bailes onde participantes competem em diversas categorias, avaliadas por critérios como estilo, atitude, presença e autenticidade. Mais do que uma disputa estética, trata-se de um ambiente que valoriza identidade, criatividade e afirmação pessoal, especialmente para grupos historicamente marginalizados.
Dentro desse universo, o catwalk é uma das categorias mais emblemáticas. Inspirado nas passarelas da moda, ele exige dos competidores postura, elegância e domínio corporal, mas também personalidade e performance. O objetivo não é apenas desfilar, e sim transmitir confiança e atitude, transformando a caminhada em um ato artístico e político. No ballroom, o catwalk ultrapassa o conceito tradicional de moda e se consolida como uma linguagem de expressão individual e coletiva.
Ouça no Spotify:
www.open.spotify.com/intl-pt/album/3YBiRO9B5pgwilGzK6VGkR

