{"id":16636,"date":"2026-10-16T12:48:00","date_gmt":"2026-10-16T15:48:00","guid":{"rendered":"https:\/\/djsound.com.br\/?p=16636"},"modified":"2026-10-16T09:58:09","modified_gmt":"2026-10-16T12:58:09","slug":"bem-vindos-a-aventuras-em-discolecionismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/djsound.com.br\/?p=16636","title":{"rendered":"Bem-vindos a AVENTURAS EM DISCOLECIONISMO"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bem-vindos a AVENTURAS EM DISCOLECIONISMO, uma nova s\u00e9rie de posts na qual abordarei uma paix\u00e3o que define minha vida: colecionar CDs e discos de vinil. No texto inaugural, uma reflex\u00e3o sobre o necess\u00e1rio momento de desapegar da cole\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Billy Wilder (1906-2002) \u00e9 meu diretor de cinema favorito. Todo mundo (quase todo mundo, vai) sabe que o austr\u00edaco assinou algumas das <a href=\"https:\/\/substack.com\/redirect\/c0f5741c-f157-4e6c-b328-db8d3abda277?j=eyJ1IjoiamRucnUifQ.lLWyjBzmGIHLaVuNjRuWrLnZ6jBiDpsm0OE7SGxTYGI\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">maiores obras-primas da hist\u00f3ria de Hollywood.<\/a> <em><a href=\"https:\/\/substack.com\/redirect\/c0f5741c-f157-4e6c-b328-db8d3abda277?j=eyJ1IjoiamRucnUifQ.lLWyjBzmGIHLaVuNjRuWrLnZ6jBiDpsm0OE7SGxTYGI\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">Crep\u00fasculo dos Deuses, Se Meu Apartamento Falasse, Quanto Mais Quente Melhor, O Pecado Mora ao Lado, Farrapo Humano<\/a>, et. al.<\/em> O que muito menos gente sabe, imagino, \u00e9 que Wilder tamb\u00e9m era um \u00e1vido colecionador de arte, focado em esculturas e telas dos per\u00edodos moderno e contempor\u00e2neo. Come\u00e7ou a montar seu acervo ainda bem jovem, antes de se firmar como cineasta, vivendo em Viena e Berlim na d\u00e9cada de 1930, e orgulhava-se de ter sido um dos primeiros a valorizar pintores como Egon Schiele e Oskar Kokoschka.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pois em 1989, aos 83 anos, Wilder resolveu vender a maior parte de sua cole\u00e7\u00e3o, que \u00e0quela altura j\u00e1 ocupava um espa\u00e7o desproporcional em seu (enorme) apartamento em Beverly Hills. O diretor catou obras de Picasso, Klimt, Renoir, Mir\u00f3, Giacometti, Balthus e muitos outros e passou tudo adiante com o interm\u00e9dio da casa de leil\u00f5es Christie\u2019s. <a href=\"https:\/\/substack.com\/redirect\/ec48cb61-ae17-4a98-9e39-8456badb3dfa?j=eyJ1IjoiamRucnUifQ.lLWyjBzmGIHLaVuNjRuWrLnZ6jBiDpsm0OE7SGxTYGI\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">Ap\u00f3s o \u00faltimo bater do martelo, ele estava US$ 32 milh\u00f5es mais rico.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cTomei a grande decis\u00e3o, a decis\u00e3o de vender, e depois fui tomando as pequenas decis\u00f5es\u201d, contou Wilder \u00e0 bi\u00f3grafa Charlotte Chandler. \u201cEscolher cada uma das obras a ir embora. Foi quando tudo acabou para mim: quando tomei aquelas decis\u00f5es, n\u00e3o na noite do leil\u00e3o. Naquela noite, eu j\u00e1 havia me despedido dos meus velhos amigos. Sentia que eles n\u00e3o me pertenciam mais.\u201d Em 2000 \u2014 dois anos antes de morrer \u2014 Wilder ainda faria um segundo leil\u00e3o, desfazendo-se de mais Picassos, Hockneys e Lichtensteins. \u201cAs grandes pinturas se foram em 1989. Essas s\u00e3o sup\u00e9rfluas\u201d, minimizou o pr\u00f3prio colecionador.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"473\" height=\"541\" src=\"https:\/\/djsound.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/6e8cd5d5-d0b6-4c8f-8c74-a8c3470df305_473x541.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16637\" srcset=\"https:\/\/djsound.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/6e8cd5d5-d0b6-4c8f-8c74-a8c3470df305_473x541.jpg 473w, https:\/\/djsound.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/6e8cd5d5-d0b6-4c8f-8c74-a8c3470df305_473x541-262x300.jpg 262w, https:\/\/djsound.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/6e8cd5d5-d0b6-4c8f-8c74-a8c3470df305_473x541-150x172.jpg 150w, https:\/\/djsound.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/6e8cd5d5-d0b6-4c8f-8c74-a8c3470df305_473x541-450x515.jpg 450w\" sizes=\"(max-width: 473px) 100vw, 473px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Levo uma vida muito, muito distante da vida que Billy Wilder levou, mas entendo perfeitamente a frase dele que abre este text\u00e3o. Coleciono discos de vinil desde os 12 anos, comprei meu primeiro CD aos 18, e at\u00e9 hoje n\u00e3o parei de adquirir ambos os formatos. Vi os LPs sa\u00edrem de moda, no come\u00e7o dos anos 1990, e continuei comprando-os. Vi os CDs ca\u00edrem de pre\u00e7o e a bonan\u00e7a das primeiras lojas online, na \u00e9poca \u00e1urea do Plano Real (R$ 1 = US$ 1). A acumula\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos ganhou um <em>boost<\/em> nos anos em que trabalhei como cr\u00edtico e rep\u00f3rter de m\u00fasica, quando recebia literais pilhas de CDs todas as semanas. O vinil voltou \u00e0 moda e encareceu de novo; os CDs foram desprezados e quase desapareceram. E eu n\u00e3o parei de adquirir ambos os formatos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quantidade de discos que perdi desde 1986 pode ser contada nos dedos. Tive alguns roubados, aqui e ali\u00b9, mas acabei recomprando os realmente importantes. Ent\u00e3o, 40 anos depois, entre LPs, singles 12\u201d e 7\u201d, CDs e <em>boxsets<\/em>, possuo algo perto de 5 mil exemplares \u2014 uns 1.500 vinis e outros 3.500 CDs. <a href=\"https:\/\/substack.com\/redirect\/11166619-cdf0-4cb1-8d58-da8a819005bd?j=eyJ1IjoiamRucnUifQ.lLWyjBzmGIHLaVuNjRuWrLnZ6jBiDpsm0OE7SGxTYGI\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">Meu perfil na plataforma de colecionadores Discogs indica um total de 4.881<\/a>,\u00b2 mas tenho uma quantidade razo\u00e1vel de t\u00edtulos que ainda n\u00e3o est\u00e3o cadastrados l\u00e1. Ent\u00e3o, pra arredondar, fecho em 5.000. (Isso no momento em que digito, 08\/10\/2026).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neg\u00f3cio \u00e9 que o Discogs tamb\u00e9m apresenta uma estimativa de valor das cole\u00e7\u00f5es catalogadas. \u00c9 uma estimativa generosa, baseada nos valores m\u00e9dios pelos quais os discos s\u00e3o vendidos por meio da pr\u00f3pria plataforma (na qual se acha praticamente qualquer LP ou CD j\u00e1 feito, mas a pre\u00e7os em geral bem salgados). Volta e meia me pego classificando minha cole\u00e7\u00e3o por valores. Se aparecesse algu\u00e9m disposto a arrematar toda a discarada pelo valor mais alto indicado no Discogs, eu lucraria o suficiente para comprar um <em>studio loft<\/em> em Botafogo ou no Flamengo. <a href=\"https:\/\/substack.com\/redirect\/11166619-cdf0-4cb1-8d58-da8a819005bd?j=eyJ1IjoiamRucnUifQ.lLWyjBzmGIHLaVuNjRuWrLnZ6jBiDpsm0OE7SGxTYGI\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">Ou uns 12 mil pacotes de Pa\u00e7oquita.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assine meu Substack para receber, semanalmente e de gra\u00e7a, pensatas, reportagens e artigos sobre sociedade, cultura, m\u00eddia & comunica\u00e7\u00e3o, inova\u00e7\u00e3o, mundo corporativo e sustentabilidade. (Mas se quiser pagar, tamb\u00e9m pode. Por favor?)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"480\" src=\"https:\/\/djsound.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/dd89b506-58a2-4364-9728-abe9a6ff27df_640x480.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16638\" srcset=\"https:\/\/djsound.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/dd89b506-58a2-4364-9728-abe9a6ff27df_640x480.jpg 640w, https:\/\/djsound.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/dd89b506-58a2-4364-9728-abe9a6ff27df_640x480-300x225.jpg 300w, https:\/\/djsound.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/dd89b506-58a2-4364-9728-abe9a6ff27df_640x480-150x113.jpg 150w, https:\/\/djsound.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/dd89b506-58a2-4364-9728-abe9a6ff27df_640x480-450x338.jpg 450w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E a\u00ed chegamos ao que chamo de <em>o dilema de Billy Wilder.<\/em> N\u00e3o estou sugerindo que tenho o equivalente, em discos, a um quadro de Picasso ou uma escultura de Giacometti. Mas uma c\u00f3pia do LP <em>Raw Power<\/em> dos Stooges, prensagem original brit\u00e2nica CBS, 1973 \u2014 exatamente igual \u00e0 minha \u2014 j\u00e1 foi <a href=\"https:\/\/substack.com\/redirect\/0938ff06-b9b7-4b8a-93ae-bc0a9999cd90?j=eyJ1IjoiamRucnUifQ.lLWyjBzmGIHLaVuNjRuWrLnZ6jBiDpsm0OE7SGxTYGI\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">negociada no Discogs por R$ 2.835<\/a>. Um LP ao vivo do Bauhaus que me custou R$ 100, <a href=\"https:\/\/substack.com\/redirect\/3681763a-6e53-415f-b310-6a0c8ef409b6?j=eyJ1IjoiamRucnUifQ.lLWyjBzmGIHLaVuNjRuWrLnZ6jBiDpsm0OE7SGxTYGI\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">chegou a atingir R$ 1.317.<\/a> Uma prosaica caixinha de CDs mono dos Beatles como a que eu tenho foi <a href=\"https:\/\/substack.com\/redirect\/6cb368f9-daa5-487c-a4a3-649ec2dc9c7e?j=eyJ1IjoiamRucnUifQ.lLWyjBzmGIHLaVuNjRuWrLnZ6jBiDpsm0OE7SGxTYGI\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">comercializada por mais de R$ 1.500<\/a>. De novo: n\u00e3o h\u00e1 garantia alguma de que eu, se pusesse esses discos \u00e0 venda, conseguiria realmente vend\u00ea-los a esses pre\u00e7os. Ainda assim, d\u00e1 o que pensar\u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 quando a op\u00e7\u00e3o pelo desapego ganha contorno de quest\u00e3o existencial. Minha vida, em grande parte, foi moldada por essa cole\u00e7\u00e3o de discos. Iniciei-a em uma \u00e9poca na qual as pessoas <em>tinham<\/em> que comprar LPs e CDs para terem acesso ilimitado a suas m\u00fasicas favoritas. Isso n\u00e3o \u00e9 mais uma realidade h\u00e1 pelo menos um quarto de s\u00e9culo. O Napster e o MP3 libertaram o som de seus suportes f\u00edsicos. Gravadores de CD caseiros permitiram a reprodu\u00e7\u00e3o de discos antes raros (e caros). E a universaliza\u00e7\u00e3o do streaming transformou de vez o cen\u00e1rio. Hoje as pessoas \u201clicenciam\u201d o \u00e1lbum que querem ouvir por meio de um pagamento a uma plataforma, em vez de adquirir um exemplar pr\u00f3prio. A partir de R$ 13 (para estudantes), o Spotify d\u00e1 acesso a mais m\u00fasica do que qualquer um poderia ouvir (ou comprar) em toda a sua vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o Discogs, o t\u00edtulo menos valorizado da minha cole\u00e7\u00e3o \u00e9 essa colet\u00e2nea do Elvis Costello. Uma c\u00f3pia j\u00e1 foi comercializada por meros R$ 0,05! Que vacilo, esse disco \u00e9 bonz\u00e3o!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de n\u00e3o precisar mais dos discos para ouvir a m\u00fasica, \u00e9 preciso encarar a finitude carnal. Ningu\u00e9m est\u00e1 ficando mais jovem e eu muito menos. Detesto a ideia de morrer de repente e largar minha amada cole\u00e7\u00e3o por a\u00ed. Minha filha tem zero interesse por meus discos e capacidade ainda menor de avaliar quanto eles valem monetariamente. Se eu mesmo n\u00e3o der um destino para a discarada enquanto tenho tempo (e sa\u00fade para gastar o valor arrecadado), tenho certeza de que ningu\u00e9m vai dar.\u00b3<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Voltemos ent\u00e3o ao <em>dilema de Billy Wilder.<\/em> O diretor austr\u00edaco tinha evidente apego \u00e0 sua cole\u00e7\u00e3o. Chamava os itens mais preciosos de \u201camigos\u201d. \u00c9 o mesmo que sinto por (boa parte dos) meus discos. Consigo lembrar onde e quando comprei cada um deles, como a primeira audi\u00e7\u00e3o me tocou, por quanto tempo procurei aquele t\u00edtulo espec\u00edfico at\u00e9 achar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meu <em>Raw Power<\/em> foi achado em uma banquinha de rua, durante um passeio por Camden Town, o bairro londrino de Amy Winehouse. Custou 15 libras. O LP do Bauhaus eu comprei na feira de antiguidades da Pra\u00e7a XV, depois de pechinchar com o vendedor. O box dos Beatles me obrigou a \u201cdar um perdido\u201d no trabalho num dia de semana, pois precisei ir a uma ag\u00eancia dos Correios em S\u00e3o Gon\u00e7alo para resgata-la, enfrentando engarrafamentos e uma longa fila.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses discos s\u00e3o a minha biografia, como a arte colecionada por Wilder era a dele. S\u00f3 que \u2014 mesmo sem precisar do dinheiro\u2074 \u2014 ele um dia desapegou. Gostaria de saber como ele calculou o momento exato para desapegar dos \u201camigos\u201d. \u00c9 um c\u00e1lculo que todo colecionador s\u00e9rio precisa fazer. O dilema est\u00e1 em <em>conseguir<\/em> desapegar, mesmo reconhecendo que o colecionismo \u00e9 parte b\u00e1sica de nossa personalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 um car\u00e1ter melanc\u00f3lico na decis\u00e3o. Paramos de comprar e come\u00e7amos a vender quando vislumbramos, ainda que distante, nossa finitude. \u00c9 uma maneira de \u201cpor as coisas em ordem\u201d antes do inevit\u00e1vel. Ser\u00e1 que Billy se sentiu menos vivo ao parar de acumular pe\u00e7as de arte? Eu, que n\u00e3o tenho muita esperan\u00e7a de chegar aos 83 anos (nem vontade de, para ser sincero), preciso resolver esse dilema em breve.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/djsound.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/235738f1-a01f-47e7-85ad-8fa5a33d31bf_768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16639\" srcset=\"https:\/\/djsound.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/235738f1-a01f-47e7-85ad-8fa5a33d31bf_768x1024.jpg 768w, https:\/\/djsound.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/235738f1-a01f-47e7-85ad-8fa5a33d31bf_768x1024-225x300.jpg 225w, https:\/\/djsound.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/235738f1-a01f-47e7-85ad-8fa5a33d31bf_768x1024-150x200.jpg 150w, https:\/\/djsound.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/235738f1-a01f-47e7-85ad-8fa5a33d31bf_768x1024-450x600.jpg 450w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Menos de um m\u00eas depois do leil\u00e3o de novembro de 1989, <a href=\"https:\/\/substack.com\/redirect\/1bcacd2b-77b4-4a70-ac01-16ac74fbf6dc?j=eyJ1IjoiamRucnUifQ.lLWyjBzmGIHLaVuNjRuWrLnZ6jBiDpsm0OE7SGxTYGI\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">o pr\u00e9dio no qual Billy Wilder e sua mulher Audrey moravam pegou fogo.<\/a> Eles escaparam ilesos, e apenas uma v\u00edtima fatal foi registrada (uma velhinha de 89 anos que aspirou fuma\u00e7a demais), mas o calor e a fuligem causaram muitos danos materiais. Incluindo ao que sobrou da cole\u00e7\u00e3o de arte de Wilder.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 uma li\u00e7\u00e3o a\u00ed. S\u00f3 n\u00e3o sei bem qual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na \u00e9poca da faculdade, quando eu era DJ profissional, fui assaltado e me levaram uma mochila cheia de CDs. (Hoje os ladr\u00f5es certamente a dispensariam.) E em 2002, meu apartamento no bairro carioca do Riachuelo foi arrombado. O ladr\u00e3o levou um videocassete LG de 5 cabe\u00e7as (eu amava aquele aparelho) e\u2026 fez uma limpa na letra \u201cS\u201d da minha CDteca, levando uns 50 t\u00edtulos de Smiths, Sonic Youth, Superchunk, Smashing Pumpkins etc. Se o cara roubou por prefer\u00eancia pessoal, pelo menos tem meu respeito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Discogs tem duas utilidades: catalogar cole\u00e7\u00f5es e comprar\/vender discos. Eu comecei a usar a plataforma por um terceiro motivo. J\u00e1 estava cansado de comprar \u00e1lbuns repetidos, especialmente em CD (que s\u00e3o mais baratos e muitas vezes adquiridos por impulso, aos lotes). Em vez de quebrar a cabe\u00e7a para lembrar se tenho ou n\u00e3o aquele disco espec\u00edfico, saco o celular e verifico na cole\u00e7\u00e3o online.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">3<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 uns anos, passei por um camel\u00f4 vendendo, estendidos na cal\u00e7ada, um bom lote de CDs de Britpop. Pulp, Supergrass, Manic Street Preachers, tudo a 3 por R$ 10. Catei uma meia-d\u00fazia e sa\u00ed assobiando. Momentos depois, um pensamento me assaltou com tamanha for\u00e7a que at\u00e9 parei de caminhar. \u201cAlgum indie v\u00e9io da vizinhan\u00e7a morreu, e os CDs dele foram jogados fora. Daqui a pouco \u00e9 a minha vez\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">4<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Precisar <em><strong>PRECISAR<\/strong><\/em> do dinheiro, ele obviamente n\u00e3o precisava. Mas depois de leiloar suas obras de arte, Wilder trocadilhou: \u201c<em>I didn\u2019t get rich making pictures. I got rich collecting pictures<\/em>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Obrigado por me aturar em mais uma plataforma. Curtiu? Aperta o bot\u00e3o laranja a\u00ed embaixo para compartilhar este post. N\u00e3o curtiu? Manda um coment\u00e1rio com pondera\u00e7\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bem-vindos a AVENTURAS EM DISCOLECIONISMO, uma nova s\u00e9rie de posts na qual abordarei uma paix\u00e3o que define minha vida: colecionar CDs e discos de vinil. 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