Belo Horizonte recebe, nos dias 4 e 5 de maio, o I Colóquio Nosso Drama: Produção, Mercado e Poética de Séries Televisivas na América Latina, iniciativa do grupo de pesquisa Comunicação e Cultura em Televisualidades (COMCULT), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UFMG. O evento é gratuito e propõe uma imersão nos processos contemporâneos de criação, produção e circulação de séries de ficção, com foco nas transformações impulsionadas pelo streaming e pelas novas tecnologias. As inscrições podem ser feitas por meio deste formulário, até o dia 04 de maio.
Com caráter técnico-científico, o Colóquio nasce com a proposta de integrar e promover o diálogo entre diferentes agentes envolvidos na produção de ficções seriadas para plataformas de streaming na América Latina. Em um cenário marcado por rápidas transformações no mercado audiovisual, o evento busca articular o debate acadêmico, com pesquisadores de instituições como USP, Mackenzie, UNEF, Unifesspa e UFMG, além da participação internacional de uma pesquisadora do Instituto Tecnológico Metropolitano, de Medelín, com atuação em estudos sobre produções da Netflix na Colômbia. A iniciativa também promove a interlocução com profissionais do mercado de streaming, ampliando o intercâmbio entre academia e indústria.
Para a professora Mariana de Almeida Ferreira, coordenadora geral do evento, a realização do encontro responde a uma necessidade de articulação entre teoria e prática no campo audiovisual. “Ao reunir pesquisas desenvolvidas em diferentes instituições do Brasil e de outros países da região, conseguimos articular esses referenciais teóricos e metodológicos com os saberes dos profissionais que atuam nas novas dinâmicas de criação, desenvolvimento e circulação de obras seriadas“, afirma Mariana.
Entre os eixos centrais estão os estudos e práticas de roteiro, incluindo os atravessamentos da Inteligência Artificial, os debates sobre regulação do streaming no Brasil e a análise do cenário atual da produção de ficção seriada em alguns dos principais mercados da América Latina. A proposta é contribuir para as discussões sobre os desafios, inovações e reconfigurações que impactam diretamente a criação e a escrita audiovisual contemporânea.
Além das discussões acadêmicas, o evento promove atividades voltadas à circulação cultural, como mostra de séries, bazar de livros e feira de artesanato, ampliando o diálogo com o público e com a cena criativa local. O I Colóquio Nosso Drama conta com apoio da Fapemig e do CNPq.
Serviço
I Colóquio Nosso Drama: produção, mercado e poética das séries televisivas na América Latina – 4 e 5 de maio
Abertura: 4/05, às 15h
Local: Centro Cultural UFMG -Av. Santos Dumont, 174 – Centro, Belo Horizonte – MG, 30111-040
Inscrições gratuitas: Link
Mais informações: Link / @comcultufmg / 31 983444981 (Mariana)
PROGRAMAÇÃO
Dia 1 – 04/05 (segunda-feira)
15h – Seminário
Construir universos, contar histórias: teoria e prática aplicadas a séries de ficção – Parte I
A atividade discute estratégias de construção de mundos ficcionais em séries contemporâneas, articulando teoria e prática a partir de exemplos latino-americanos. O objetivo é compreender como o worldbuilding sustenta narrativas seriadas consistentes no cenário atual.
Participante: João Araújo (UNEF/UFBA)
17h – Intervalo
17h30 – Mesa redonda
Nosso Drama: processos de ensino, pesquisa e extensão para um cenário contemporâneo do audiovisual
A mesa apresenta o projeto Nosso Drama, que integra ensino, pesquisa e extensão para investigar os impactos do streaming na produção de séries. Serão discutidas as transformações no mercado, os processos de criação voltados para plataformas digitais e experiências como o Nosso Drama Lab, dedicado à formação de roteiristas. O debate inclui ainda análises comparativas da ficção seriada em países como Brasil, Colômbia e México.
Participantes: Mariana de Almeida Ferreira (UFMG), Simone Maria Rocha (UFMG) e Marcos Vinícius Meigre e Silva (Unifesspa)
Mediação: Millena Ohana Santos (UFMG)
18h30 – Intervalo
19h – Palestra de abertura
Roteiro e escrita no audiovisual em tempos de Inteligência Artificial
O pesquisador Marcelo Muller propõe uma reflexão sobre os impactos da Inteligência Artificial na criação dramatúrgica. A palestra aborda desde o uso de IA em salas de roteiro até novas formas narrativas, discutindo autoria, processos de trabalho e os limites dessas tecnologias no audiovisual contemporâneo.
Convidado: Marcelo Muller (USP)
Mediação: Simone Maria Rocha (UFMG)
Dia 2- 05/05 (terça-feira)
14h30 – Painel
Uma década de Originais Netflix na América Latina: panorama de um mercado que redefiniu os modos de fazer televisão
O painel analisa os impactos dos originais de plataformas como a Netflix na América Latina, discutindo mudanças nas práticas industriais, nas narrativas e nas dinâmicas culturais do setor. A análise considera mercados como Brasil, México e Colômbia, destacando continuidades e rupturas no modelo audiovisual.
Participantes: Tomaz Penner (USP/Mackenzie) e Verónica Heredia-Ruiz (ITM-Colômbia)
Mediação: Mariana de Almeida Ferreira (UFMG)
16h – Intervalo
16h30 – Seminário
Construir universos, contar histórias: teoria e prática aplicadas a séries de ficção – Parte II
A atividade discute estratégias de construção de mundos ficcionais em séries contemporâneas, articulando teoria e prática a partir de exemplos latino-americanos. O objetivo é compreender como o worldbuilding sustenta narrativas seriadas consistentes no cenário atual.
Convidado: João Araújo (UNEF/UFBA)
18h30 – Intervalo
19h – Mesa de encerramento
Regular para resistir: ofício de roteirista e soberania audiovisual no Brasil
A mesa reúne profissionais do setor para discutir os desafios do trabalho no audiovisual diante das transformações do streaming. O debate aborda condições de trabalho, dados recentes da produção nacional e a importância da regulação para fortalecer a indústria brasileira e garantir a soberania audiovisual.
Participantes: Thaís Olivier (ABRA), Raquel Valadares (Anima Lucis/API)
Mediação: Marcos Vinícius Meigre e Silva (Unifesspa)
Currículos
Mariana de Almeida Ferreira é jornalista pela UFPA, produtora cultural, professora do PPGCOM/UFMG, pesquisadora Conhecimento Brasil (CNPq) e vice-líder do grupo de pesquisa Comunicação e Cultura em Televisualidades (COMCULT/UFMG). Doutora em Comunicação Social pela UFMG. Coordena o curso de formação de roteirista Nosso Drama Lab – Laboratório de desenvolvimento de projetos de ficção seriada para TV (UFMG). Coordenadora geral do I Colóquio Nosso Drama.
Simone Maria Rocha é professora titular do Departamento de Comunicação Social e do PPGCOM/UFMG. Líder do Grupo de Pesquisa em Comunicação e Cultura em Televisão (COMCULT), membro da enRedo – Rede e Laboratório Integrados de Assessoria de Conteúdos em Ficção Seriada Televisiva e bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq. Coordena o curso de formação de roteirista Nosso Drama Lab – Laboratório de desenvolvimento de projetos de ficção seriada para TV (UFMG). Coordenou e escreveu a coleção e a série audiovisual Enredo: o desenvolvimento de séries para streaming no Brasil.
Marcos Vinicius Meigre e Silva é professor assistente da Unifesspa, vice-diretor da FACOM e vice-coordenador do curso de Jornalismo. Doutor e mestre em Comunicação Social pela UFMG. Integrante do Grupo de Pesquisa Comunicação e Cultura em Televisualidades (COMCULT/UFMG). Lidera o Núcleo de Estudos em Audiovisual (NEA/Unifesspa), coordena o projeto de pesquisa “Ficção seriada para streaming e a construção de mundos ficcionais a partir da Amazônia brasileira” e o projeto de extensão “EnRedo: Rede de tutoria e assessoria para submissão de projetos em leis de fomento no contexto da Amazônia brasileira”.
João Araújo é doutor em Comunicação pela UFBA. Docente da UNEF/Bahia. Professor, pesquisador, coordenador e produtor cultural. Publicou mais de 30 trabalhos e atuou na coordenação de projetos como “Jogos de Todos os Santos: um estudo da construção de mundos ficcionais nos videogames baianos” (Lei Aldir Blanc Bahia 2020), “Vários Mundos, Uma Bahia: Um Estudo da Ficção Seriada Baiana” (fundo setorial de audiovisual 2019) e, mais recentemente, “Lentes Coloridas: Profissionais LGBTQIAPN+ no Audiovisual Baiano” (financiado pela Lei Paulo Gustavo). Participou ainda dos projetos educacionais “Áudio Visões: Oficina de Letramento em Séries de TV” (LPG Bahia, 2023) e Estação do Drama (PPGCCC-UFBA).
Marcelo Muller é professor de Inteligência Artificial no Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da USP. Professor permanente no PPGARTES – UFC. Doutor em Meios e Processos Audiovisuais pela USP. Formado na especialidade de direção no Curso Regular da Escuela Internacional de Cine y Televisión de San Antonio de los Baños (EICTV). Diretor e roteirista, dirigiu o longa-metragem “Eu te Levo” e escreveu “Infância Clandestina”, “O Outro Lado do Paraíso”, “Amanhã Nunca Mais”, entre outras obras audiovisuais. É co-autor da série “Encerrados” (Netflix Argentina, Globoplay) e “Brilhante F.C.” (TV Brasil, Nickelodeon).
Tomaz Penner é formado em Publicidade pela UFPA. Mestre e Doutor em Ciências da Comunicação pela ECA/USP. Foi pesquisador visitante na Universidade do Texas em Austin (Estados Unidos) e já participou de redes de pesquisa internacionais, em parcerias com empresas como Globo e IBOPE. Atualmente, é professor no Centro de Ciências Sociais Aplicadas na Universidade Presbiteriana Mackenzie. É vice-coordenador do Grupo de Pesquisa Linguagens e Discursos nos Meios de Comunicação (GELiDis – ECA/USP).
Verónica Heredia Ruiz é professora Programa de Cinema da Instituição Universitária ITM de Medellín e doutoranda em Comunicação pela Universidade de Málaga. É comunicadora social e jornalista, mestre em Comunicação com ênfase em Análise de Meios pela Universidade de Antioquia, mestre em Comunicação, Tecnologias e Criatividade do Setor Audiovisual pela Universidade Internacional da Andaluzia. Seu interesse de pesquisa se concentra na estratégia de produção de conteúdo original da Netflix na Colômbia (2015–2025).
Thaís Olivier é cientista Social pela UFMG, pós-graduada em Roteiro para TV, Cinema, Web e Multiplataformas pela UVA. Atual Presidente da ABRA. Seu longa Deus Nos Guie está sendo produzido pela Lombada Filmes em coprodução com a Argentina. É roteirista e diretora do curta Farpa (2025) e Mulheres da Terra (2025). Também é roteirista dos curtas Marinas (2017), Fazenda Boa Vista (2025), Panis et Circensis (2024).
Raquel Valadares é roteirista, diretora e produtora na Anima Lucis Produções, casa do longa Homem-Carro (2014), da série gastronômica À Moda da Casa (2016) e do curta Corpo de Bollywood (2007), todas obras de não-ficção. Também foi, pela API, uma das lideranças na batalha da regulação do VoD, integrando a coordenação da campanha digital #ÉdoBrasil (2023). Bacharel em Cinema pela UFF e Mestre em Artes, Cultura e Linguagem pela UFJF, há mais de 15 anos compõe equipes criativas de documentários para cinema e televisão, sendo o longa baiano em finalização “Não Deixe O Samba Morrer” o seu trabalho de direção mais recente.

