Em 2025, o mercado nacional de música eletrônica caracterizou-se pela maturidade, diversidade e uma forte projeção global. Artistas como Alok, Vintage Culture, Mochakk e Liu se destacaram com milhões de seguidores e carreiras internacionais sólidas.
O Brasil figura como o 9º maior mercado fonográfico do mundo, segundo a associação Pro-Música, com um setor de música eletrônica consolidado, diverso e em crescimento. O país combina grande público, festivais internacionais, artistas com alcance global e cenas locais inovadoras. Com o objetivo de mapear esse ecossistema em 2025, analisando oportunidades, desafios e os principais atores do setor, a União Brasileira de Compositores, em parceria com a Brazil Music Conference, lança o relatório ‘Mapa da Música Eletrônica no Brasil’, que será apresentado pela primeira vez no Hot Beats Music Conference.
Maior encontro de negócios da música eletrônica no Brasil, o evento acontece hoje (21/05), no Hotel Nacional do Rio de Janeiro. Participam do painel Claudio da Rocha Miranda Filho, um dos autores do estudo, e Peter Strauss, Gerente de Relações Internacionais, Distribuição e Licenciamento na UBC. O relatório também está disponível para acesso no site da UBC.
A partir de dados de mercado e entrevistas com profissionais da indústria, o estudo revela que o mercado de música eletrônica no Brasil vive uma fase de consolidação e transformação, marcada pelo fortalecimento de artistas nacionais, expansão internacional e mudanças no comportamento do público.
Nos últimos anos, o país deixou de ser apenas consumidor de tendências internacionais para se tornar também exportador de artistas e sonoridades, com nomes brasileiros ocupando posições de destaque em festivais e plataformas de streaming ao redor do mundo.
Esse movimento, descrito no estudo como “Brazilian Storm”, reflete a ascensão de DJs e produtores nacionais, que passaram a atrair grandes públicos e a competir em visibilidade com artistas estrangeiros. Hoje, o line-up de grandes eventos no país já não depende exclusivamente de atrações internacionais para garantir público. E festivais internacionais como Coachella, Primavera Sound e Sonar passaram a contar com DJs brasileiros como principais atrações, a exemplo de Vintage Culture, ANNA, Alok, Mochakk, Clementaum e Cashu.
Outro destaque é o perfil do público brasileiro, caracterizado como jovem, conectado e altamente engajado. Fãs de música eletrônica no país consomem, em média, mais de 16 horas semanais do gênero e demonstram forte presença nas redes sociais, que se consolidaram como principal canal de descoberta musical — especialmente entre a Geração Z.
A digitalização, aliás, é um dos principais vetores de transformação da cena. A experiência musical, antes centrada na pista de dança, passa a incorporar elementos visuais e digitais, com eventos cada vez mais pensados para gerar impacto nas redes sociais e engajamento online.
Apesar do crescimento, o setor ainda enfrenta desafios importantes. Entre eles, o alto custo de produção de eventos, a dificuldade de captação de patrocínios fora de segmentos tradicionais, a falta de dados estruturados sobre o mercado e entraves relacionados à arrecadação de direitos autorais. Além disso, há uma concentração crescente em grandes festivais, o que dificulta a sustentabilidade de iniciativas menores e mais experimentais.
Por outro lado, o estudo aponta oportunidades relevantes, como a expansão para novas regiões do país, o fortalecimento de colaborações entre artistas brasileiros e internacionais e a integração com outros gêneros musicais, como funk, pop e sertanejo — característica que reforça o potencial criativo e híbrido da música eletrônica no Brasil.
Entre as recomendações, o relatório destaca a necessidade de maior organização do ecossistema, investimento em dados e pesquisas, além de estratégias mais conectadas à cultura local por parte de players internacionais.
Com um público fiel, artistas em ascensão global e forte presença digital, a música eletrônica brasileira se consolida como um dos segmentos mais dinâmicos da indústria cultural no país — e um vetor estratégico de inovação, exportação e impacto econômico.
A música eletrônica é um segmento de grande relevância também econômica e cultural, movimentando globalmente mais de 15 bilhões em toda sua cadeia de eventos. Por isso um estudo e consequente diagnóstico do seu status no Brasil tem muito impacto no nosso setor. Temos enormes desafios de uma correta arrecadação e mais ainda distribuição e este diálogo aberto e franco com o mercado é o caminho mais curto para aproximar distâncias e buscar novas instâncias de colaboração conjunta. O estudo comissionado pela UBC tem este papel, como sociedade de gestão coletiva líder e como maior representante deste repertório internacional e nacional , afirma Marcelo Castello Branco, diretor executivo da UBC.
Encomendado pela UBC, o estudo ‘Mapa da Música Eletrônica no Brasil’ foi desenvolvido por Camilo Rocha, Claudio da Rocha Miranda Filho e Mauricio Soares, profissionais com atuação reconhecida e de longa data no mercado local, em diferentes frentes.
Segundo Claudio da Rocha Miranda Filho: O Mapa da Música Eletrônica buscou oferecer contexto e perspectiva – reunindo elementos críticos para a compreensão do mercado, de forma a instrumentalizar os tomadores de decisão de todo o ecossistema. É importante mencionar o caráter mais qualitativo do que quantitativo do estudo. Esperamos com o material oferecer um guia para analisar a atualidade brasileira, suas oportunidades e desafios. Foi um enorme prazer e também um desafio religar a vertical de Pesquisa e Desenvolvimento do BRMC (plataforma que de 2009 a 2021 realizou uma série de conferências e eventos para o trade da música eletrônica), desta vez na companhia privilegiada do Maurício Soares e o Camilo Rocha, dois profissionais atuantes e participativos em muitas fases do desenvolvimento da indústria.
O Mapa da Música Eletrônica traz contexto e perspectiva, por meio de informações qualitativas de um mercado que tem alcance nacional, atravessa gerações, inspira tendências, atrai marcas e exporta talentos. Uma das coisas que chama a atenção, reflexo dessa penetração em diferentes recortes de público, é a riqueza e criatividade da produção artística, que inclui híbridos entre techno, house e funk, interfaces com a MPB e o pop, assim como de trabalhos mais experimentais e alternativos. Em termos gerais, é um cenário diverso e mais do que consolidado, se pensarmos que a música eletrônica movimenta os brasileiros desde a década de 1990, comenta Camilo Rocha.
Para Maurício Soares, O Mapa da Música Eletrônica Brasil 2025 chega em momento oportuno para um segmento que movimenta multidões, mas ainda carece de dados estruturados e reconhecimento institucional. O estudo confirma o que o mercado já sente: o Brasil deixou de ser importador de tendências para se tornar um exportador global de talentos e sonoridades. Entre os achados mais relevantes, destaca-se o engajamento excepcional do público e o que isso representa para setores como turismo, comércio e serviços. Mais de 60% dos frequentadores viajam entre estados para assistir a festivais, retrato de uma audiência fiel e disposta a investir em experiências. O relatório também evidencia oportunidades ainda subutilizadas, como os crossovers entre a eletrônica e os demais gêneros da música brasileira, e aponta desafios reais para o segmento. Um ponto de partida concreto para decisões de negócio à altura do que a cena já representa.
Sobre os autores:
Camilo é jornalista, escritor e DJ. Atua na cena eletrônica brasileira desde a década de 90, analisando e reportando sobre o movimento como jornalista para grandes veículos nacionais e se apresentando como DJ em eventos importantes como Rock In Rio, Universo Paralello e Virada Cultural. Em 2024, lançou o livro “Bate-Estaca”, sobre os primórdios da cena eletrônica de São Paulo.
Claudio dirigiu durante 12 anos a principal conferência de música eletrônica do Brasil, o BRMC, também atuou como contratante e produtor de grandes eventos e festivais, escreveu importantes artigos na área, entre eles o ‘1º Mapeamento da Dance Music Culture no Brasil’ para o Ministério da Cultura Holandês. Hoje atua como curador e diretor artístico de música eletrônica na Rock World, empresa que realiza o Rock in Rio, The Town e Lollapalooza no Brasil; e serve ao Advisory Board da AFEM (Association For Electronic Music).
Maurício é sócio-fundador do espaço de eventos ARCA e da produtora M-S Live, atualmente ocupando a posição de Head of Marketing na equipe do DJ Alok e de membro do conselho da conferência SIM São Paulo. Tem mais de 20 anos de experiência em marketing, branding e estratégia e mais de uma década na indústria do entretenimento e eventos. Foi Country Manager da ID&T Brasil e Diretor de Marketing da Plusnetwork, ocupando posições de liderança em eventos internacionais como Skol Sensation, Tomorrowland Brasil, Electric Zoo e Milkshake.
Sobre a UBC:
A UBC – União Brasileira de Compositores – é uma associação sem fins lucrativos, dirigida por autores, que tem como objetivo principal a defesa e a promoção dos interesses dos titulares de direitos autorais de músicas e a distribuição dos rendimentos gerados pela utilização das mesmas, bem como o desenvolvimento cultural. Fundada em 1942 por grandes nomes da música, a UBC atua até hoje com dinamismo, excelência em tecnologia da informação e transparência, representando no Brasil e no exterior mais de 70 mil associados. Sendo a mais antiga das sociedades do Brasil, rege, junto a outras sociedades congêneres, o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição – ECAD.

