Capsula, banda que une nomes do mainstream e da cena indie, nasce de algo raro nos dias de hoje: tempo, convivência, afinidade criativa e o desejo de fazer música sem pressa.
A história começou como uma coincidência típica de Belo Horizonte (a cidade onde todos se encontram!).
Um almoço de família, conexões improváveis entre vizinhos, parentes e músicos que frequentavam os mesmos círculos havia décadas, mas raramente haviam dividido o mesmo espaço criativo.
Em algum momento desse emaranhado mineiro de relações, surgiu o convite simples: “vamos fazer um som”. Durante um ano inteiro, Érika Martins (voz – Penélope), Fernando Americano (guitarra – thesurfmotherfuckers, Penélope), Haroldo Ferretti (bateria – Skank) e Lelo Zaneti (baixo – Skank) trabalharam silenciosamente nesse repertório.
Um tempo quase impensável em uma indústria pautada pela urgência de lançamentos instantâneos.
O quarteto se encontrava no Estúdio Bamboo — estúdio montado na casa de Haroldo Ferretti, cercado pelas montanhas de Nova Lima — experimentando ideias, trocando arquivos madrugada adentro, testando timbres, desmontando e reconstruindo canções.
Em vez da lógica acelerada da “música de algoritmo”, feita para durar segundos em uma rolagem infinita, o Capsula surgiu da insistência no oposto: canções lapidadas lentamente, gravadas por mãos humanas e carregadas das imperfeições que tornam a música viva.
O resultado é uma música que sangra, transpira e abraça a beleza da imperfeição humana. UmMusicalmente, o grupo transita entre o pop, pós-punk, dub, indie rock e o chamado “rock adulto”. As letras abordam ansiedade digital, relações líquidas, exaustão emocional e a sensação permanente de hiperconexão.
São crônicas urbanas sobre uma geração sobrecarregada por notificações e validações instantâneas.
Com lançamento marcado para 29 de maio, via OneRPM, o single “Dopamina” é uma primeira amostra do equilíbrio entre os grooves de Haroldo e Lelo, as texturas sensoriais das guitarras de Fernando Americano e a interpretação densa e magnética de Érika Martins.
A faixa que transita pelo pop, o rock e o reggae, é uma crônica moderna sobre a exaustão digital e a ansiedade das notificações.
Em um tempo em que boa parte da música é criada para alimentar métricas, tendências e algoritmos, o Capsula surge como um antídoto ao som descartável.
Uma espécie de “inteligência artesanal” em forma de banda. Música feita por pessoas reais, para pessoas reais. Não é nostalgia. Não é revival. É música viva.
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