Andar de Cima, no centro de São Paulo, consolida-se como espaço híbrido para quem busca autenticidade e pausa no caos urbano.
O mercado de motéis no Brasil vive uma transformação geracional. O que antes era visto sob um viés moral hoje ganha um novo significado, especialmente entre a Geração Z, que enxerga esses espaços como ambientes de experiência, liberdade e bem-estar. Mais do que um local de passagem, o motel passa a ocupar um lugar de refúgio urbano e de hospedagem flexível, conectado ao desejo de viver a cidade de forma mais intensa e autêntica.
A mudança já aparece nos hábitos de consumo. Dados internos do Andar de Cima mostram que cerca de 20% das vendas de diárias são realizadas por meio de canais tradicionalmente ligados ao turismo, como Airbnb, Booking e outras plataformas parceiras, com uma parcela significativa de hóspedes vindos de fora da capital paulista. O indicador revela que esses espaços vêm sendo incorporados ao circuito de hospedagem urbana, escolhidos cada vez mais pela experiência que proporcionam do que pelos rótulos historicamente associados à motelaria.
É nesse contexto que se insere o Andar de Cima. Localizado no coração de São Paulo, o empreendimento ocupa os andares superiores do prédio que abriga o Love Cabaret, reedição da icônica Love Story. Cercado por destinos como Tokyo, Balsa e restaurantes premiados, o espaço se posiciona no epicentro da cena cultural e do lazer paulistano e reinterpreta uma nova lógica de hospitalidade: híbrida, flexível e voltada para quem busca viver a cidade de maneira mais livre e personalizada.

“O motel tradicional sempre carregou uma estética fechada, quase secreta. O Andar de Cima faz o movimento oposto: ele se abre como linguagem”, afirma Felipe Martinez, sócio do Andar de Cima e diretor da gestora moteleira LHG. Para o executivo, o espaço foi desenhado para ser um território de liberdade. “Usamos uma frase adesivada em nosso elevador que resume isso: ‘Um lugar para você ser quem nunca foi'”, revela.
A evolução ultrapassa o comportamento e chega à logística urbana. Durante o último Rock in Rio, motéis viralizaram no TikTok como alternativa estratégica de hospedagem, com reservas em todos os dias do festival, provando que o modelo “short stay” (estadia curta) compete diretamente com hotéis convencionais.


O conceito híbrido do Andar de Cima define-se como “nem hotel, nem motel”: une a agilidade e a possibilidade de reserva por períodos fracionados (3h, 6h ou 12h), típicas do motel, com o rigor estético, design temático e serviço de um hotel boutique. “Eventos como esse escancaram que as pessoas querem flexibilidade. Nem sempre faz sentido pagar por uma diária inteira se o uso é mais curto, mais intenso e focado na experiência. O jovem consome sob demanda; a hospedagem de curta duração vira uma extensão desse comportamento espontâneo, livre e alinhado com a vida real”, pontua Martinez.
Soma-se a isso a tendência do “bed rotting”: o ato de passar períodos na cama como prática de autocuidado. O relatório WGSN 2025 aponta que 86% da Gen Z consideram experiências sensoriais um fator decisivo antes de consumir algo e 81% buscam desconexão digital, paradoxo que explica a busca por refúgios físicos como o Andar de Cima.


“Entendemos que, no meio do caos de São Paulo, o luxo para essa geração não é excesso, é pausa”, explica Felipe. O projeto aposta em design autoral, iluminação quente e texturas que convidam à presença. “A tecnologia, e-commerce para reserva, automação e acústica, entra como suporte invisível de conveniência. A ideia é simples: você não precisa pensar em nada, só se reconectar com o corpo, com o outro e com o agora.”
O modelo permite que o hóspede escolha entre diária, day use ou pernoite, adaptando-se à necessidade e ao bolso. “No fundo, não é só sobre onde dormir, é sobre como viver a cidade”, conclui o empresário.

