by Mariela Gregori
Aconteceu neste fim de semana e mostrou, mais uma vez, por que o evento continua crescendo ano após ano.
Com recorde de público, a organização conseguiu acompanhar a demanda, oferecendo uma excelente estrutura, o que tornou a experiência muito mais confortável para quem passou horas no deserto.

33ª edição do Monegros Desert Festival
Logo na chegada era possível perceber que o evento estava mais preparado para receber o aumento de público. Os bares e as praças de alimentação estavam melhor distribuídos pelo recinto, reduzindo filas e facilitando a circulação entre os palcos. A área VIP também ganhou uma nova configuração, mais ampla, com bares exclusivos, opções gastronômicas diferenciadas e espaços de descanso que fizeram diferença para quem encarou mais de vinte horas ininterruptas de música.
A gastronomia também acompanhou essa evolução. Além dos tradicionais hambúrgueres e pizzas, o festival ofereceu opções de diferentes nacionalidades, com alternativas vegetarianas, veganas e sem glúten. Os preços seguiram a média dos grandes festivais europeus: €5 pelo refrigerante, €6,50 pela cerveja e entre €10 e €15 por um hambúrguer. Nada muito diferente do esperado. A diferença esteve na qualidade da operação. A cerveja permaneceu gelada durante todo o evento e a ampliação dos pontos de abastecimento de água gratuita foi uma das melhorias mais inteligentes desta edição, garantindo conforto e segurança para um público que enfrentou o calor do deserto durante o dia e o frio na reta final da madrugada.


O maior festival de música eletrônica da Espanha mostrou que ainda encontra maneiras de evoluir sem perder a essência que conquistou milhares de fãs ao longo de mais de três décadas.
Pois, se a estrutura chamou atenção, foi quando a música assumiu o protagonismo que o Monegros mostrou por que continua sendo um dos festivais mais respeitados da Europa.
A estreia do Outworld em formato open air foi uma das grandes novidades de 2026. Pelo seu criador, Klangkuenstler, que tocou duas vezes em momentos bastante marcantes, durante o por e nascer do sol, ele nao foi o nico responsavel pelo sucesso do palco. Ao final nao bastasse a combinacao entre sua porposta visual, localizacao e lne-up de peso, podemos destacar o memoravel B2B entre Chris Liebing e Speedy J — fez do Outworld um dos espaços mais disputados do fim de semana. Não seria exagero dizer que a novidade também contribuiu para o rápido esgotamento dos ingressos.

Mas se houve uma mudança que definiu a identidade desta edição, ela foi a substituição do histórico Sound System Temple pelo novo Outworld. O palco estreou em formato open air e rapidamente se transformou em um dos grandes sucessos do festival. A combinação entre sua proposta visual, localização e um line-up de peso — que teve como cartão de visitas, alem dos dois sets de seu criador Klangkuenstler, o memorável B2B entre Chris Liebing e Speedy J — fez do Outworld um dos espaços mais disputados do fim de semana. Não seria exagero dizer que a novidade também contribuiu para o rápido esgotamento dos ingressos.
Ao mesmo tempo, a estreia do Outworld trouxe consigo um sentimento inevitável de nostalgia. Afinal, foi justamente naquele espaço que, durante anos, viveu o Sound System Temple, considerado por muitos o verdadeiro coração do Monegros. Era ali que aconteciam alguns dos momentos mais emblemáticos do festival, e sua ausência mudou até a forma de encerrar a edição. Lembrando que foi naquele mesmo antigo palco principal que Klangkuenstler havia tocado duas edicoes atrás.
Desta vez, o festival teve dois grandes finais acontecendo simultaneamente. Enquanto milhares de pessoas acompanhavam os últimos minutos no Outworld, outra multidão se reunia na Techno Catedral para o encerramento comandado por Richie Hawtin. Dois palcos, duas propostas completamente diferentes e um mesmo sentimento: o de encerrar mais uma maratona no deserto. Talvez tenha sido o adeus definitivo ao Temple, mas também o primeiro capítulo de uma nova fase do Monegros. Resta saber se, nos próximos anos, o Outworld conseguirá construir a mesma história e a mesma conexão emocional que seu antecessor levou décadas para conquistar.
Sao 9 palcos + o avião, mostrando por que Monegros é um dos festivais mais diversos da cena eletrônica. O Techno Catedral, Industry City e elrow, permaneceram como o coração do festival, reunindo alguns dos maiores nomes do techno e do hard techno.

Além dos palcos tradicionais, os stages convidados foram um dos grandes destaques. Ao final o sucesso do Unreal e do Awakenings abriu espaço para a chegada do Outworld, e o mais impresionante e que nenhum momento nenhum dos palcos ficou vazio. Por isso musicalemnte ese festival e tao foda.
No palco Awakenings, outro back-to-back de peso marcou a programação. Ben Klock e SHDW conduziram uma apresentação sólida, intensa e precisa, reafirmando por que o selo holandês continua sendo uma das maiores referências do techno mundial.
Quem também roubou a cena foi Seth Troxler, um dos poucos artistas a aparecer em dois momentos completamente diferentes da programação. Primeiro, levou toda sua irreverência ao elrow, em um ambiente de pura celebração. Horas depois, surgiu novamente no El Corral, desta vez ao lado de Butch, em um B2B elegante, com grooves envolventes que mostraram outra faceta de seu repertório.
Os fãs de psytrance também não tiveram do que reclamar. O retorno de Astrix, que já havia deixado sua marca na edição de 2024, foi um dos momentos mais aguardados. Já o encontro entre Ace Ventura e Captain Hook entregou um back-to-back que confirmou por que ambos seguem entre os principais nomes da cena psicodélica mundial.
Mas talvez o momento que melhor represente o espírito do Monegros aconteça quando a madrugada começa a dar lugar ao amanhecer.
Por volta das 6h30, o deserto finalmente lembrava que ainda era madrugada. A temperatura ainda muito baixa, mas bastava entrar no El Pajar para esquecer o frio. BlaN-K e Nymfo encontraram o momento perfeito para comandar a pista com um set de drum & bass cheio de energia. Enquanto os primeiros raios de sol surgiam do lado de fora, as pistas pareciam ganhar uma nova vida. Era curioso perceber que, ao contrário do que acontece na maioria dos festivais, o público simplesmente não ia embora. Conforme amanhecia, mais gente voltava a dançar. A sensação era de que o festival estava apenas começando.
Outro momento de destaque ficou por conta de Paolo Ferrara, que incendiou o Artcore, palco comandado por Indira Paganotto. Em um dos sets mais intensos do fim de semana, o italiano transformou a pista em um verdadeiro caldeirão, mostrando por que sua combinação entre techno e influências psicodélicas conquistou tanto espaço nos últimos anos.
O esgotamento antecipado dos ingressos pode ser explicado pela combinação de diversos fatores: um line-up cada vez mais forte, melhorias constantes na infraestrutura e a fidelidade de um público que faz do Monegros uma tradição anual. Mais do que um festival de música eletrônica, o evento consolidou-se como uma experiência completa, onde organização, conforto e diversidade caminham lado a lado com apresentações de alto nível.
Ao final de mais uma edição, fica a sensação de que o Monegros continua encontrando formas de crescer sem perder sua identidade. Em pleno deserto de Aragão, o festival reafirma sua posição como um dos maiores e mais importantes encontros da música eletrônica na Europa.


