by Mariela Gregori
O calor de Barcelona não deu trégua durante os três dias de Brunch Electronik Festival. Mas, entre um set e outro, era difícil pensar em outra coisa que não fosse continuar dançando. De 7 a 9 de agosto, o Parc del Fòrum voltou a receber um dos grandes encontros da música eletrônica na cidade, e a sensação, depois de passar por mais uma edição, é clara: o Brunch cresceu — e muito.
Foram 65 mil pessoas ao longo do fim de semana, com cerca de 80% do público vindo da própria Barcelona. Um número que diz bastante sobre o momento do festival. Ao mesmo tempo em que reúne artistas que estão na programação dos maiores eventos do mundo, o Brunch continua tendo uma relação muito forte com a cidade e com seu público.
E isso aparece na experiência.
O Parc del Fòrum é um espaço que funciona muito bem para o formato. São seis palcos, cada um com uma identidade própria, e uma circulação que permite passar de uma pista para outra descobrindo diferentes momentos da programação. Os novos desenhos dos palcos também ajudaram a criar experiências diferentes, sem deixar de lado a característica open air que combina tanto com o verão de Barcelona.
Mas, nesta edição, uma das coisas que mais chamou minha atenção foi justamente aquilo que muitas vezes fica em segundo plano em um festival: o cuidado com quem está ali.
O calor bateu forte. Muito forte. E, em um evento que acontece durante horas sob o sol, hidratação deixa de ser um detalhe e passa a ser parte fundamental da experiência. O festival ampliou os pontos de água gelada gratuita, espalhou áreas de sombra pelo recinto e instalou sistemas de nebulização em pontos de circulação. Também havia espaços de descanso e distribuição gratuita de frutas.
Parece simples, mas faz diferença. Principalmente quando você está há horas na pista e percebe que existe uma preocupação real em fazer com que o público consiga continuar aproveitando o festival com mais conforto.

E aí vem a parte que continua sendo o principal motivo para tudo isso: a música.
Kaytranada, Jeff Mills, Paul Kalkbrenner, Miss Monique, Luciano, Floating Points, Eric Prydz, The Blaze e tantos outros nomes passaram pelos palcos durante um fim de semana que percorreu diferentes caminhos da eletrônica. Do techno mais pesado ao melodic, do house ao underground, dos grandes shows em formato live aos encontros improváveis em B2B.
Foi também interessante perceber a força que o festival vem dando à cena local. Artistas de Barcelona dividiram espaço com nomes internacionais e o Open Stage by Red Bull, com DJs escolhidos entre mais de mil candidaturas, mostrou que existe uma preocupação em olhar para quem está começando.
Talvez seja justamente essa combinação que explique o momento do Brunch Electronik.
Ele está cada vez mais global, mas ainda parece muito conectado a Barcelona. É um festival que consegue colocar nomes gigantes da música eletrônica em seus palcos e, ao mesmo tempo, manter aquela sensação de comunidade que faz as pessoas voltarem.
Os after-parties em diferentes clubes da cidade ajudam a ampliar ainda mais essa experiência. O festival não termina exatamente quando se fecham os portoes do Parc del Fòrum se apagam. Ele continua pela noite de Barcelona, conectando o evento ao próprio circuito eletrônico da cidade.
Depois de mais uma edição, fica a sensação de que o Brunch Electronik está entrando em uma nova fase. A licença do Parc del Fòrum renovada até 2028 mostra que existe um projeto de longo prazo, enquanto os números confirmam que o público está acompanhando esse crescimento.
E talvez seja isso que mais impressiona: o Brunch já não é apenas um festival que acontece em Barcelona.
É um festival que está, cada vez mais, na agenda de quem acompanha a música eletrônica no mundo inteiro.
E, pelo que vimos nesta quarta edição, ainda existe bastante espaço para crescer.

