by André Luiz Andreller
Rock in Rio: New Dance Order transforma a Cidade do Rock em uma grande pista de dança!
Palco eletrônico reúne diversidade, remixes, tech house, EDM e um público que não parou de dançar durante a noite.
A chegada ao Rock in Rio foi marcada pela organização. Desde os primeiros passos na Cidade do Rock, sinalização, acessos e circulação funcionaram de maneira tranquila, criando uma experiência confortável para o público logo na entrada.
Na estrutura dos palcos, uma das primeiras impressões foi a transformação do palco Mundo. A sensação é de que o principal palco do festival ganhou um pouco menos de tamanho físico, mas compensou com uma verdadeira evolução tecnológica. Um gigantesco painel de LED tomou conta da estrutura, acompanhado por um sistema de iluminação que ampliou consideravelmente as possibilidades visuais dos shows.
Já o palco Sunset parece ter crescido. A nova configuração dá ao espaço uma presença ainda maior dentro da Cidade do Rock, chegando a transmitir, em determinados momentos, a impressão de que ele próprio é o palco principal. Uma escolha que valoriza um dos espaços que mais ganharam importância na história recente do festival.
Mas foi no New Dance Order que a noite ganhou outra dimensão.
DFABW abre o New Dance Order
A abertura do palco eletrônico ficou por conta do DFABW, em uma apresentação marcada pela coreografia e pela diversidade. O grupo apresentou uma performance que dialogou diretamente com a proposta do festival e funcionou como uma espécie de introdução para a noite eletrônica.
A apresentação também ajudou a reforçar um dos conceitos presentes no Rock in Rio deste ano: Dancing for a Better World. A trilha sonora criada para o festival se encaixou perfeitamente nesse conceito, utilizando a música e a dança como ferramentas para transmitir uma mensagem de diversidade, união e transformação.
Cat Dealers leva hits e remixes para a pista
Na sequência, o duo brasileiro Cat Dealers assumiu o New Dance Order e rapidamente transformou o espaço em uma das pistas mais cheias da noite.
Formado pelos irmãos Lugui e Pedrão, o Cat Dealers se tornou um dos principais nomes brasileiros da música eletrônica, conquistando espaço no cenário internacional com produções e remixes que transitam por diferentes vertentes da música eletrônica.
No Rock in Rio, a dupla apostou justamente nessa capacidade de conversar com diferentes públicos. O repertório foi recheado de hits em versões remixadas e mashups, passando por referências do hip hop, rock e música pop.
Entre os momentos que mais chamaram a atenção estiveram versões de “We Will Rock You”, do Queen, “Hot in Herre”, de Nelly, “Livin' on a Prayer”, do Bon Jovi, além de “Dangerous” e “This Is How We Do It”, de Montell Jordan.
O resultado foi uma pista cheia praticamente do início ao fim.
Além da música, o Cat Dealers apresentou um espetáculo visual preparado especialmente para o festival. A combinação entre os remixes e a produção de imagens no telão reforçou a proposta de transformar o New Dance Order não apenas em um palco de DJs, mas em uma experiência audiovisual.
ATKO aposta em Cazuza, Whitney Houston e New Order
A segunda apresentação da noite ficou sob responsabilidade de ATKO, que trouxe uma proposta mais voltada para a House music , sem abrir mão de grandes referências da música pop.
O DJ e produtor brasileiro abriu o set com uma releitura de “Preciso Dizer Que Te Amo”, de Cazuza, estabelecendo desde o início uma conexão entre a música brasileira e a eletrônica.
Outro momento de destaque veio com “I Wanna Dance with Somebody”, de Whitney Houston, apresentada em uma versão eletrônica que incendiou a pista.
ATKO também mergulhou em uma leitura mais underground de “Blue Monday”, do New Order, levando o clássico para uma sonoridade próxima do tech house.
Mas o ponto alto da apresentação veio com “Filho do Vento”, sua música mais recente em parceria com João Lucas. Para surpresa do público, João Lucas apareceu no palco e participou da apresentação ao vivo, transformando o lançamento em um dos momentos mais especiais do set.
ATKO vem construindo seu espaço na cena eletrônica brasileira justamente pela capacidade de transitar entre diferentes referências e transformá-las em pistas de dança contemporâneas. No New Dance Order, essa característica ficou evidente.

Giu e Carola colocam groove e personalidade na pista
Depois foi a vez do B2B de Giu e Carola, duas artistas que fizeram a pista estremecer com uma apresentação marcada por groove, energia e personalidade.
A dupla apostou em uma linha mais próxima do tech house, com bastante pressão e uma condução de pista que, em termos de personalidade sonora, entregou um dos sets mais fortes da noite.
O público respondeu à altura.
Entre os destaques esteve uma versão modificada de “Superstylin'”, do Groove Armada, que ganhou uma nova leitura dentro da proposta das DJs.
O B2B mostrou ainda a força que a cena feminina vem conquistando dentro da música eletrônica. Giu e Carola não apenas dividiram a cabine: construíram juntas uma apresentação de forte identidade, mantendo a pista em movimento durante todo o set.
Steve Angello fecha a noite levando o New Dance Order ao limite
Para encerrar a programação, o New Dance Order recebeu seu grande headliner: Steve Angello.
O DJ e produtor sueco, um dos nomes mais importantes da história da EDM e integrante fundador do Swedish House Mafia, chegou ao festival com status de estrela internacional. Ao longo da carreira, Angello acumulou grandes sucessos, apresentações nos principais festivais do mundo e uma trajetória que ajudou a definir o som da música eletrônica comercial dos anos 2000 e 2010.
No Rock in Rio, a expectativa era enorme.
Steve Angello começou seu set enquanto o Foo Fighters ainda se apresentava no palco Mundo. Mas bastou a banda encerrar sua apresentação para que o cenário mudasse completamente: o New Dance Order ficou absolutamente lotado.
E Angello fez aquilo que sabe fazer como poucos: conduzir uma multidão.
Com uma seleção que passeou pelo big room, EDM e grandes hits de sua carreira, o sueco levou o público ao êxtase. Drops explosivos, refrões conhecidos e uma sucessão de momentos pensados para uma multidão transformaram a pista em uma grande celebração coletiva.
Não por acaso, Steve Angello construiu ao longo dos anos a reputação de um verdadeiro maestro das multidões. No Rock in Rio, essa característica ficou evidente mais uma vez.
Uma noite para dançar
A programação do New Dance Order mostrou a amplitude da música eletrônica dentro do Rock in Rio. Do espetáculo coreografado do DFABW aos mashups do Cat Dealers, passando pela mistura de referências de ATKO, pelo groove de Giu e Carola e pelo gigantismo de Steve Angello, o palco apresentou diferentes maneiras de entender a música eletrônica.
Mais do que um espaço dedicado aos DJs, o New Dance Order se consolidou como uma experiência completa, combinando música, tecnologia, iluminação, performances e, principalmente, público.
Se o conceito do festival era “Dancing for a Better World”, o palco eletrônico cumpriu sua missão. Durante horas, milhares de pessoas diferentes dividiram a mesma pista, cantaram as mesmas músicas e dançaram sob as mesmas luzes.
No fim, talvez essa seja uma das grandes forças do Rock in Rio: transformar estilos diferentes em uma única experiência. E, naquela noite, o New Dance Order foi o lugar onde essa ideia encontrou sua pista de dança.
Flagrantes Palco New Dance Order no Rock in Rio 2026, 04 de setembro, Rio de Janeiro:








