by Jeferson Ciarvi ( Human Robot)
Detroit fechou o Labor Day Weekend mais uma vez mostrando uma característica que, para mim, é uma das coisas mais interessantes da cidade: aqui, os gêneros musicais não precisam ficar separados.
De 4 a 7 de setembro, o Detroit Jazz Festival ocupou Hart Plaza para sua 47ª edição, reunindo nomes históricos, novos artistas e diferentes gerações em uma programação gratuita que atravessou quatro dias.
Eu estive por lá durante o fim de semana, acompanhando parte dessa programação e vendo de perto essa mistura que só Detroit consegue fazer de uma maneira tão natural. Entre os momentos que mais me chamaram a atenção estiveram as apresentações de Cindy Blackman Santana e Roberta Gambarini. Cindy, no Carhartt Stage, trouxe toda sua força como baterista e artista, enquanto Roberta Gambarini, acompanhada pela Detroit Jazz Festival Orchestra, ocupou o JPMorganChase Stage.
Duas artistas, duas linguagens e duas presenças muito diferentes dentro de um mesmo festival. Também vale destacar o trabalho que acontece por trás do festival.
A Paxahau, empresa profundamente ligada à história da música eletrônica de Detroit e responsável pela produção do Detroit Jazz Festival desde 2009, está por trás de toda essa estrutura.
É justamente essa conexão que considero interessante: a mesma cidade que recebe o Detroit Jazz Festival também recebe o Movement, e a Paxahau participa da produção dos dois.
Durante o sábado, também pude acompanhar esse trabalho mais de perto e ouvir Sam Fotias, diretor de operações da Paxahau, falando sobre a estrutura e o trabalho necessário para colocar um evento desse tamanho na rua.
Sam é uma das pessoas que conhece muito bem essa engrenagem, trabalhando há anos nos bastidores dos grandes eventos musicais de Detroit.
Mas o fim de semana não terminou no jazz, na segunda-feira, depois do festival, a programação continuou no MotorCity Wine, com o Monday Is The New Monday – Labor Day.
No Line-up Kenjiro b2b Blesstonio, Dej.y, DJ Girl, MGUN, Saylem Celeste, Shigeto + Josh Dunn, Spencer Bros, Tammy Lakkis e Charles Trees.

Entre os nomes que considero importantes nessa nova geração está Tammy Lakkis, que fez um live que, para mim, representa muito do que está acontecendo na nova vanguarda na cidade.
Tammy é uma artista que não precisa escolher um único caminho, ela transita entre o live, a produção e vinil, construindo uma identidade própria e muito conceitual. É esse tipo de artista que me interessa acompanhar porque existe ali uma pesquisa, uma personalidade e uma visão de futuro e para mim, Tammy Lakkis é um dos nomes que representam essa nova geração que está levando a música de Detroit para outro lugar.
Começar no jazz e terminar no house e no techno, passando por diferentes vertentes e gerações artísticas, sem que nada pareça deslocado assim é Detroit.
Uma cidade que continua mostrando que sua história musical não está parada no passado.
O Jazz continua vivo.
O House continua se transformando. O techno continua encontrando novos caminhos.
E uma nova geração de artistas continua aparecendo para acrescentar outras possibilidades a essa história.
Flagrantes do “Detroit Jazz Festival”, no “Labor Day” em comemoração nos EUA:


















