by Wanderson XVR
Poucas bandas conseguiram misturar funk, soul, jazz, disco e música eletrônica com tanta personalidade quanto o Jamiroquai. Formado em Londres, em 1992, o grupo liderado pelo carismático Jay Kay conquistou o mundo com músicas dançantes, sofisticadas e cheias de groove – daquelas que começam a tocar e, quando você percebe, já está balançando a cabeça.
O nome Jamiroquai, aliás, já entrega um pouco dessa mistura. Ele nasceu da combinação da ideia de jam session com “Iroquois”, referência a um povo indígena norte-americano.

Groove, estilo e muito chapéu
O som do Jamiroquai tem algumas características que são difíceis de confundir: baixo marcante, teclados cheios de referências ao jazz, batidas de funk e arranjos que parecem feitos sob medida para a pista de dança.
Ao longo dos anos, a banda foi incorporando novas influências, principalmente da música eletrônica e da disco, sem abandonar o groove que virou sua assinatura.
E, claro, não dá para falar de Jamiroquai sem falar de Jay Kay. Além da voz inconfundível, o cantor ajudou a transformar o visual da banda em parte do espetáculo. Seus chapéus extravagantes se tornaram praticamente uma marca registrada.
Difícil escolher só cinco
A discografia do Jamiroquai é daquelas que complicam a vida de quem tenta montar uma lista de melhores músicas. São muitos hits e faixas que continuam funcionando muito bem décadas depois de lançadas.
Mas, se fosse preciso escolher apenas cinco para apresentar a banda a alguém que nunca ouviu Jamiroquai, a seleção poderia ser: “Virtual Insanity”, “Cosmic Girl”, “Canned Heat”, “Space Cowboy”, “Little L”.
E, entre todas elas, “Virtual Insanity” provavelmente leva o troféu de música mais emblemática.
“Virtual Insanity”: dançante, mas nem um pouco inocente
Lançada em 1996, no álbum Travelling Without Moving, “Virtual Insanity” é muito mais do que um grande hit. Por trás daquele groove irresistível existe uma crítica aos caminhos que a sociedade estava tomando – e que continuam bastante atuais.
A música fala sobre tecnologia, consumismo, ganância e mudanças sociais e ambientais, levantando uma questão simples, mas poderosa: será que todo avanço tecnológico significa, necessariamente, evolução?
A chamada “insanidade virtual” apresentada por Jay Kay é justamente a idéia de um futuro cada vez mais artificial, tecnológico e distante de algumas das coisas que nos tornam humanos.
E aí está uma das grandes sacadas do Jamiroquai: fazer você pensar enquanto dança.
O videoclipe de “Virtual Insanity” ajudou a transformar a música em um fenômeno. Jay Kay aparece dançando em uma sala aparentemente comum, enquanto móveis e o próprio chão parecem se movimentar ao seu redor. O resultado é uma das imagens mais lembradas dos videoclipes dos anos 1990.
Um som que continua atual
Mesmo décadas depois, o Jamiroquai continua tendo um ingrediente que não envelhece: groove.
A banda conseguiu pegar elementos do jazz, funk, soul, disco e música eletrônica e transformar tudo isso em um som acessível, elegante e extremamente dançante. Não é pouca coisa.
No Brasil, essa combinação também encontrou muitos fãs. O público brasileiro sempre teve uma relação especial com o funk, o soul e a música dançante, o que ajuda a explicar a popularidade do grupo por aqui.
No fim das contas, talvez seja justamente essa mistura que faça o Jamiroquai continuar relevante. A música pode ter mudado, a tecnologia pode ter avançado e os chapéus de Jay Kay podem ter ficado ainda mais extravagantes, mas uma coisa permanece: quando começa um bom groove do Jamiroquai, é difícil ficar parado.


