by Mariela Gregori
David Guetta transforma a [UNVRS] em um circo galáctico ainda mais tecnológico.
Galactic Circus retorna à [UNVRS] em uma noite lotada, com grandes convidados, produção renovada e uma experiência visual ainda mais imersiva
Ibiza já conhece o poder de David Guetta de transformar uma pista em um grande espetáculo. Mas, na última sexta-feira (11), o francês voltou a provar que, quando música, tecnologia e entretenimento encontram o mesmo palco, a experiência pode ir muito além de uma noite de clubbing.
Na [UNVRS], o Galactic Circus recebeu uma das noites mais concorridas da temporada. A casa estava cheia, e a sensação era de que todos os caminhos levavam à pista principal, onde Guetta assumiu o comando depois de uma sequência de sets que preparou o público para uma madrugada de muita energia.
E se a primeira temporada do Galactic Circus já havia impressionado pela dimensão da produção, a edição de 2026 mostra que o conceito não ficou parado.
Mais tecnologia, menos circo — mas o espetáculo continua
Quem esteve no Galactic Circus no ano passado provavelmente percebeu a diferença logo nos primeiros minutos.

Em 2025, a proposta tinha um equilíbrio mais evidente entre a estética circense e a presença física dos performers. Nesta temporada, a balança parece ter se deslocado um pouco mais para a tecnologia.
As estruturas suspensas sobre a cabine ganharam ainda mais protagonismo, com grandes painéis de LED que se movimentam acima do público, criando diferentes formas, perspectivas e efeitos durante o set. Mais do que um simples telão, a estrutura faz parte do próprio cenário, transformando constantemente a arquitetura da pista.
O resultado é uma experiência ainda mais visual e imersiva, em que luz, vídeo, movimento e música parecem funcionar como uma única linguagem.

Ao mesmo tempo, houve uma redução perceptível das acrobacias circenses em relação ao ano passado. Nesta edição, a presença dos performers foi mais pontual, com destaque para as acrobatas e para as dançarinas que circularam pela pista e pelo palco ao longo da noite.
É uma mudança interessante: o Galactic Circus continua sendo um espetáculo, mas agora parece menos preocupado em reproduzir literalmente a ideia de um circo e mais interessado em criar um universo futurista onde o circo é apenas uma das referências.
Uma pista cheia e convidados à altura

Antes de Guetta assumir a cabine, Marlon Hoffstadt e Marten Hørger mostraram por que a escolha dos convidados é parte importante da experiência. O line-up da Main Room ainda contou com a presença de David Guetta, enquanto Discoliscious ocupava The Bunker e Paul Reynolds, o Wild Comet.
Os dois convidados entregaram sets muito bons e ajudaram a construir a energia da noite, mantendo a pista em movimento e preparando o público para o momento mais esperado.
E a resposta foi imediata.
A [UNVRS] estava cheia, com aquele tipo de público internacional que Ibiza reúne tão bem: diferentes nacionalidades, diferentes referências musicais e uma mesma disposição para passar horas dançando.
David Guetta e uma viagem pela própria história
Quando David Guetta chegou à cabine, a pista já estava completamente preparada.
O francês transitou por diferentes momentos de sua carreira e por uma seleção que mostra justamente a amplitude de sua trajetória — do house e progressive house às produções mais voltadas para grandes festivais e aos hits que ajudaram a transformar a música eletrônica em fenômeno mundial.
Mas um dos momentos mais marcantes da noite aconteceu justamente quando a música deu espaço para a memória.
Durante “Together”, o enorme painel suspenso acima do DJ começou a exibir imagens de David Guetta em diferentes momentos de sua carreira, incluindo registros de quando ele ainda era mais jovem e estava construindo o caminho que o levaria a se tornar um dos nomes mais importantes da música eletrônica mundial.
Por alguns instantes, o espetáculo deixou de olhar apenas para o futuro e voltou os olhos para o passado.
A combinação da música com aquelas imagens criou um momento especialmente simbólico. No meio de toda a tecnologia, dos efeitos visuais, das estruturas suspensas e dos grandes drops, o público pôde enxergar o artista por trás do fenômeno — e perceber quanto tempo e transformação existem por trás daquele DJ que hoje ocupa algumas das maiores pistas do mundo.

Foi provavelmente um dos momentos mais humanos de uma noite construída justamente para impressionar pelos seus elementos grandiosos.
Quando música e produção se tornam uma coisa só
E é justamente aí que o Galactic Circus funciona melhor.

Os momentos de maior impacto não dependem apenas do drop ou de um grande hit. As estruturas suspensas começam a se movimentar, os painéis de LED mudam completamente a percepção do espaço, as luzes acompanham a música e os performers entram em cena. Tudo acontece em camadas.
É quase como se o público estivesse dentro de uma instalação audiovisual que, por acaso, também tem um dos maiores DJs do mundo comandando a trilha sonora.
A própria [UNVRS] descreve a proposta desta temporada como um espaço em constante transformação, com estruturas que pairam sobre a pista, performers que descem do teto e uma sala inteira se movimentando como um único corpo.
E, naquela sexta-feira, essa descrição fez bastante sentido.
Um circo que continua evoluindo
Quando foi apresentado pela primeira vez em 2025, o Galactic Circus nasceu como uma das grandes apostas de David Guetta para a nova [UNVRS]. Para 2026, o artista voltou prometendo levar a produção ainda mais longe, com uma nova temporada da residência.
Um ano depois, a proposta parece mais madura.
O espetáculo continua grandioso, mas não precisa mais provar que consegue ser grandioso. A produção já encontrou sua identidade e agora pode brincar mais com tecnologia, movimento e narrativa visual.

Se em 2025 o público tinha a sensação de estar entrando em um circo futurista, em 2026 a impressão é de estar dentro de uma espécie de organismo tecnológico em constante transformação.
E talvez seja exatamente isso que faça o Galactic Circus funcionar tão bem.
Não é apenas uma festa de David Guetta. Não é apenas um show audiovisual. E também não é exatamente um circo.
É uma experiência híbrida, construída para fazer com que a pista, o DJ, os performers e a tecnologia façam parte do mesmo espetáculo.
Na sexta-feira, a [UNVRS] estava lotada. E, por algumas horas, aquele enorme espaço deixou de parecer uma casa noturna para se transformar novamente no universo particular de David Guetta — um universo que, pelo visto, ainda tem bastante espaço para evoluir.

![David Guetta transforma a [UNVRS] em um circo galáctico](https://djsound.com.br/wp-content/uploads/2026/09/IMG_20260916_234816-1024x683.jpg)