by Charlie Farewell
Chapterhouse traz a São Paulo a experiência de um dos nomes fundamentais do shoegaze dos anos 90.
Na próxima terça-feira, 29 de setembro, São Paulo recebe uma das bandas que ajudaram a definir a sonoridade do shoegaze britânico no início dos anos 1990. O Chapterhouse faz uma apresentação única no Cine Joia, em uma noite que também terá o terraplana, um dos nomes de destaque da atual cena alternativa brasileira.
O show marca o retorno do Chapterhouse ao Brasil em um momento particularmente simbólico: em 2026, o álbum de estreia Whirlpool, lançado originalmente em 1991, completa 35 anos. O disco permanece como uma das obras mais representativas da interseção entre shoegaze, dream pop, psicodelia e música eletrônica que marcou a transição da cena alternativa britânica para os anos 1990.
Os últimos ingressos estão disponíveis pela Ingresse, nos setores Pista e Camarote. Para quem prefere comprar sem taxa de conveniência, o Takkø Café, na Vila Buarque, funciona como ponto de venda físico oficial.
O Chapterhouse sempre pareceu existir alguns passos à frente das tendências que dominavam a música britânica. Quando a psicodelia começava a dialogar com a cultura rave, a banda já incorporava batidas eletrônicas às guitarras. Quando o shoegaze ganhava espaço, o grupo ampliava suas referências para além do formato tradicional das bandas de guitarras. E quando o Britpop começava a dominar a cena, o Chapterhouse já havia desenvolvido uma linguagem própria que aproximava rock, psicodelia e música dançante.
A história começou em Reading, na Inglaterra, em 1987, quando um grupo de amigos de escola decidiu montar uma banda. O repertório inicial passava por covers dos Stooges e músicas descobertas nas lendárias coletâneas Pebbles. A partir dali, o Chapterhouse começou a construir uma identidade que chamou a atenção de nomes da cena psicodélica britânica, incluindo o Spacemen 3.
Depois de alguns EPs, veio uma das músicas que melhor sintetizam o potencial do grupo. “Pearl” combinava guitarras expansivas com uma base rítmica pesada e elementos eletrônicos, criando uma faixa que ainda hoje soa surpreendentemente contemporânea.
A gravação contou ainda com vocais de apoio de Rachel Goswell, do Slowdive, reforçando a ligação entre o Chapterhouse e a cena de Reading que ajudaria a formar uma das vertentes mais influentes do rock alternativo britânico.
Lançado em 1991, Whirlpool consolidou o Chapterhouse como um dos nomes essenciais do shoegaze. Ao contrário de trabalhos que apostavam exclusivamente em paredes de guitarras e distorções, o álbum encontrava equilíbrio entre texturas psicodélicas, melodias pop, ritmos eletrônicos e uma produção atmosférica.
Faixas como “Pearl”, “Breather” e “Falling Down” mostram uma banda interessada em explorar as possibilidades do estúdio sem abandonar o apelo melódico.
A participação de Robin Guthrie, do Cocteau Twins, também ajudou a aproximar o Chapterhouse do universo do dream pop e de uma estética sonora mais etérea.
É justamente nessa região entre o shoegaze e o dream pop que o Chapterhouse encontrou sua identidade. Enquanto o primeiro costuma trabalhar com grandes camadas de guitarras, ruído e distorção, o segundo privilegia atmosferas, reverberações, delays, texturas e melodias que parecem flutuar sobre a produção.
O Chapterhouse transitava naturalmente entre esses dois mundos.
Depois de lançar Blood Music, em 1993, o Chapterhouse encerrou suas atividades em 1995. A banda permaneceria afastada dos palcos por mais de uma década, até retornar em 2008 para uma apresentação que inicialmente deveria ser apenas um evento isolado.
O reencontro acabou levando a uma reunião definitiva no ano seguinte, seguida por apresentações no Reino Unido, Estados Unidos e Japão.
Mais uma vez, o Chapterhouse acabou antecipando um movimento que posteriormente se tornaria recorrente: o retorno de bandas importantes da cena shoegaze aos palcos.
Agora, em 2026, o grupo retorna para celebrar sua própria história em um momento em que sua música encontra uma nova geração de ouvintes.
A formação que chega a São Paulo reúne Stephen Patman (guitarra e voz), Andrew Sheriff (guitarra e voz), Robin Light (guitarra), Ashley Bates (bateria) e Michael Secker (baixo).
Antes do Chapterhouse, o palco do Cine Joia será ocupado pelo terraplana.
A banda curitibana chega a São Paulo apresentando seu segundo álbum, natural, lançado em março de 2025 pela Balaclava Records.
O disco preserva a atmosfera melancólica que acompanha a trajetória do grupo, mas amplia consideravelmente seu campo de atuação. O shoegaze continua presente, porém divide espaço com elementos de post-hardcore, slowcore e outras vertentes do rock alternativo.
O repertório também deverá revisitar músicas dos trabalhos anteriores, incluindo o álbum olhar pra trás, de 2023, e o EP Exílio, lançado em 2017.
A formação atual do terraplana conta com Stephani Heuczuk (voz e baixo), Vinícius Lourenço (voz e guitarra), Cassiano Kruchelski (voz e guitarra) e Wendeu Silverio (bateria).
A combinação das duas bandas cria uma noite que conecta diferentes momentos da música alternativa: de um dos grupos que ajudaram a estabelecer a linguagem do shoegaze britânico nos anos 1990 a uma banda brasileira que vem expandindo essa linguagem para novos territórios.
Para o Chapterhouse, é também uma oportunidade de revisitar Whirlpool 35 anos depois de seu lançamento, agora diante de um público que descobriu o disco muito tempo depois de sua primeira chegada às lojas.

Serviço
Balaclava apresenta: Chapterhouse (UK) e terraplana em São Paulo
Data: 29 de setembro de 2026
Local: Cine Joia
Endereço: Praça Carlos Gomes, 82 – Liberdade, São Paulo
Abertura das portas: 19h
terraplana: 20h
Chapterhouse: 21h30
Classificação: 16 anos. Menores de 16 anos somente acompanhados dos pais ou responsável legal.
Ingressos: Ingresse – Chapterhouse SP
Ponto de venda físico sem taxa de conveniência:
Takkø Café
Rua Major Sertório, 553 – Vila Buarque, São Paulo
Horários do Takkø Café: terça a sexta, das 8h às 17h; sábados, domingos e feriados, das 9h às 18h.

