by Mariela Gregori
Starlight Festival: dois dias de música, performances intensas e pistas que tremeram o deserto.
De Adriatique e Indira Paganotto a Charlotte de Witte, o Starlight Festival transformou os palcos aos pés das Pirâmides de Gizé em cenários de diferentes vertentes da música eletrônica.

O Starlight Festival mostrou, ao longo de seus dois primeiros dias, que sua proposta artística ia muito além da dimensão monumental de sua localização. Com as Pirâmides de Gizé como pano de fundo, o evento reuniu diferentes linguagens da música eletrônica, cruzando atmosferas melódicas, performances híbridas, hard techno e sets de alta intensidade. Entre apresentações prolongadas, momentos de conexão com o público e pistas que permaneceram movimentadas durante a madrugada, a programação construiu uma experiência marcada pela diversidade sonora.

Dia 1: viagens melódicas, encontros culturais e BPMs elevados
O primeiro dia teve em Adriatique um de seus principais destaques. Headliner da abertura, o duo estendeu sua apresentação até as 3h30, prolongando a jornada musical com sua identidade característica, marcada por construções progressivas, camadas melódicas e atmosferas envolventes. A extensão do set deu espaço para uma experiência mais longa, permitindo que a dupla desenvolvesse sua narrativa sonora diante do público, pricipalmente quando tocaram “palm of your hands”, cancao mais adequada para o cenario possivel.
Outro momento de destaque veio com Indira Paganotto. Conhecida pela intensidade de suas apresentações e por transitar entre o psy-trance e o techno, a artista protagonizou um dos episódios mais singulares da programação ao incorporar a participação da cantora El Karima que cantou a faixa “DREAM” em árabe. A combinação entre a energia eletrônica e os vocais trouxe uma dimensão cultural à performance, criando um contraste interessante entre a linguagem global da música de pista e a expressão vocal associada à região.
O fechamento do palco Artcore se deu novamente com Paolo Ferrara que em um b2b com Juno assumiram o controle da pista com muita intensidade. Os artistas transitaram por diferentes estilos sem perder o ritmo acelerado, mantendo os BPMs elevados e a pista aquecida. A apresentação explorou as possibilidades de diálogo entre suas seleções, alternando referências e texturas em uma sequência voltada para quem buscava uma experiência mais pesada e direta.

Em outra direção, WhoMadeWho ofereceu um dos momentos mais emocionais do primeiro dia. Com seu formato híbrido, o projeto dinamarquês combinou elementos eletrônicos com instrumentação e vocais ao vivo. Canções entoadas em coro pelo público transformaram a apresentação em uma experiência coletiva, mostrando como a música eletrônica também pode criar momentos de proximidade e emoção em meio à grandiosidade de um festival.
O palco Orion também merece destaque pela apresentação de Nic Mehreb b2b Moti, que contribuiu para ampliar a diversidade musical do primeiro dia. Sua performance integrou a programação paralela do festival, reforçando a importância dos diferentes palcos na construção da experiência artística.

Dia 2: Charlotte de Witte conduz o público a uma madrugada intensa
No segundo dia, Charlotte de Witte ficou responsável por encerrar o palco principal com uma apresentação de forte impacto. A DJ e produtora belga levou ao palco sua assinatura sonora, construída sobre linhas de techno contundentes, progressões hipnóticas e uma condução que privilegia a intensidade.
A apresentação passou por faixas de Psytrance e por sonoridades de BPMs elevados, criando uma sequência que incendiou a pista. A seleção refletiu uma acidez mais pulsante, enquanto a artista conduzia o público por uma jornada de tensão e energia até o encerramento do palco principal.
Enquanto isso, o Orion ofereceu uma alternativa para quem ainda não queria encerrar a noite. A programação se estendeu pela madrugada, premiando o público que permaneceu no festival e permitindo que a experiência continuasse para além dos horários inicialmente previstos.

O palco No Sleep Giza, por sua vez, voltou a assumir um papel protagonista. Mantendo a pista cheia, o espaço demonstrou sua relevância dentro da estrutura artística do evento, funcionando como um ponto de continuidade para quem buscava prolongar a experiência musical. A movimentação constante reforçou a importância de uma programação distribuída entre diferentes ambientes, capazes de atender a públicos com preferências sonoras distintas.
Uma programação que vai além do espetáculo visual

A dimensão visual do Starlight Festival é inevitavelmente marcada pela presença das Pirâmides de Gizé, mas foram as performances que deram identidade musical aos dois primeiros dias.
O resultado foi uma programação que combinou diferentes velocidades, atmosferas e formas de interação com a pista. Em um cenário histórico de dimensão extraordinária, o Starlight Festival encontrou sua identidade artística justamente na diversidade de experiências que seus palcos ofereceram.

