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A Conexão Autêntica entre o Ruhr e Detroit: Uma conversa com Redmadvelvet

By Conteúdo Digital20 outubro, 2026Nenhum comentário8 Mins Read
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by Jeferson Ciarvi Human Robot

Existem conexões no techno que não dependem de algoritmos, grandes patrocínios ou estratégias de marketing. Elas nascem do respeito mútuo, da poeira do vinil e de uma afinidade quase simbiótica entre cidades industriais. A trajetória do DJ e produtor alemão Redmadvelvet (Rolf Schwieder) é o reflexo exato disso.
Nascido e criado no coração do Vale do Ruhr, na Alemanha — uma região marcada pela arquitetura fabril e pela energia crua do underground —, Rolf coleciona discos e comanda as pistas tocando estritamente em vinil desde 1996. Sem fones decorativos, sem sync e sem playlists engessadas, sua abordagem ao tocar é puro instinto e intuição. Essa mesma essência livre o levou a fundar o coletivo e plataforma Space Invadrz Division (S.I.D.), focado no techno cru, sem fronteiras.

Essa postura real underground foi o catalisador para uma ponte sólida entre a Alemanha e a Motor City. A sinergia entre o produtor e a cena de Detroit é profunda: além de apresentações marcantes na Europa e em solo norte-americano — com passagens por Colônia, Berlim e a própria cidade de Detroit —, Redmadvelvet construiu uma relação de fraternidade com nomes fundamentais da cena.

Essa união se reflete diretamente no trabalho dele no Future Visions Label Detroit. Após assinar quatro faixas marcantes pelo selo, ele prepara agora o lançamento do aguardado novo EP, “False Vector” (catálogo FVL115), que consolida ainda mais essa ponte transatlântica de som analógico e autêntico.

E o próximo capítulo dessa jornada já tem data e local marcados. Neste dia 21 de outubro de 2026, durante a programação do Amsterdam Dance Event (ADE), Redmadvelvet sobe ao palco do evento Groomlake Universal (no projeto 313 X 020: Detroit Techno Militia / BBQ Amsterdam Invites Detroit, no Noorderlicht Café). Ele dividirá a cabine ao lado de verdadeiras lendas de Detroit, como DJ Roach, T.Linder e DTM (Detroit Techno Militia).

Confira a seguir a nossa entrevista na íntegra:

1. O INÍCIO, O VINIL E O UNDERGROUND
Comecei a tocar discos em 1996, mas minha relação com a música eletrônica vem de ainda mais longe. Eu era um garoto da região do Ruhr, cercado por paisagens industriais, clubes underground e um tipo de energia muito particular. Encontrei no techno algo que não conseguia achar em nenhum outro lugar.

O vinil nunca foi uma decisão consciente para ser diferente. Foi simplesmente como aprendi a ser DJ. Cresci com os discos, e é assim que continuo entendendo a música. Tenho vários milhares de discos e cada um deles tem uma história. Não os vejo como uma coleção; eles são parte da minha vida.

Para mim, discotecar é sobre instinto, tempo e assumir riscos. Não preparo sets nem uso sync. Quero reagir ao que está acontecendo na pista, não seguir um plano. Às vezes a transição funciona, às vezes não. Isso faz parte.

Faço isso há quase 30 anos e ainda me empolgo quando encontro um disco que nunca ouvi antes. Acho que é isso que me mantém em frente. Não estou tentando me tornar algo ou alcançar um destino específico. Eu só amo tocar discos. Isso é o suficiente para mim.

Gary Martin Teknotika, Redmadvelvet e Human Robot

2. GARY MARTIN, TEKNOTIKA E DETROIT
Conheci Gary Martin e Jeferson Ciarvi juntos, e ambos se tornaram amigos muito próximos. Eles são como irmãos para mim. É muito mais do que música ou trabalhar juntos em projetos.

Gary teve uma influência enorme na minha jornada, tanto como artista quanto como pessoa. Ele me abriu portas, acreditou em mim e me deu oportunidades que eu nunca esperei. Mas o que mais valorizo é a própria amizade. Não há papéis ou hierarquias entre nós. Somos apenas amigos que compartilham a mesma paixão.

Através do Gary, a Teknotika se tornou uma parte muito importante da minha vida. Não é apenas uma gravadora ou um movimento musical; é uma família de pessoas que acreditam em fazer as coisas de forma independente e permanecer fiéis ao que representam.

Detroit me parece estranhamente familiar. Sou da região do Ruhr e há algo na história industrial, nas pessoas e na mentalidade com o qual me conectei imediatamente. Sinto-me em casa lá. Você não precisa ficar se explicando o tempo todo; as pessoas entendem de onde você vem.

Detroit e Teknotika representam amizade, independência e respeito pela cultura. E isso é algo que carrego comigo para onde quer que eu vá.

3. SPACE INVADRZ DIVISION / S.I.D.
O S.I.D. começou com uma ideia muito simples: criar um lugar onde as pessoas pudessem se reunir sem toda a palhaçada habitual que cerca a indústria da música.

Eu queria reunir artistas e amigos de diferentes cenas underground, especialmente pessoas que compartilham uma mentalidade semelhante, mas que de outra forma talvez nunca se encontrassem. Sem grandes patrocinadores, sem áreas VIP, sem expectativas comerciais. Apenas pessoas, música e um sistema de som adequado.

Mantemos nossas festas pequenas, os locais secretos e a entrada gratuita sempre que possível. Não precisamos de milhares de seguidores ou de uma casa lotada para provar nada. Se 20 pessoas aparecerem e todos estiverem lá pelos motivos certos, isso já é uma noite de sucesso para mim.

O S.I.D. também é sobre dar aos artistas a liberdade de fazerem o que quiserem. Não dizemos às pessoas como tocar e não nos importamos com o status delas ou com quantos discos venderam. Vinil, equipamentos analógicos, máquinas ao vivo e uma conexão real entre as pessoas envolvidas. É isso que importa.

Não estou interessado em construir mais uma marca ou me destacar. Na verdade, prefiro ficar em segundo plano e deixar que a música e as pessoas falem por si mesmas

Para mim, o S.I.D. é sobre manter vivo algo que acho que está se tornando cada vez mais raro: uma cultura underground que pertence às pessoas que a criam.

4. HUMAN ROBOT E FUTURE VISIONS
Como mencionei, conheci o Jef e o Gary juntos. O Jeferson e eu nos conectamos através da música, mas nossa amizade vai muito além do estúdio. Ele é outro irmão para mim, e isso torna tudo o que fazemos juntos muito natural.

Trabalhar com ele na Future Visions tem sido uma experiência incrível. Ter quatro faixas lançadas pelo selo é algo de que me orgulho genuinamente, especialmente porque não são apenas faixas feitas por fazer.

A música vem de um entendimento compartilhado do techno. Não precisamos complicar as coisas nem passar horas discutindo como algo deveria soar. Há muita confiança entre nós, e ambos trazemos nossa própria bagagem e experiência para o processo.

Trabalhar entre a Alemanha e Detroit também dá à música seu próprio caráter. Vimos de ambientes diferentes, mas compartilhamos uma abordagem semelhante à música. Não se trata de tentar recriar um som específico de Detroit ou seguir uma fórmula; apenas fazemos a música que sentimos.

Para mim, o mais importante é que a amizade vem sempre em primeiro lugar. Os discos são o resultado dessa conexão, e não o contrário.

5. NOVOS PROJETOS E O FUTURO
Há um novo projeto chegando pelo Future Visions Label Detroit e estou realmente ansioso por ele. É mais um passo na minha relação com o selo e com as pessoas por trás dele.

Também estou desenvolvendo o S.I.D. e reunindo mais artistas. Temos algumas conexões muito especiais com Detroit e outras cenas underground, e há coisas em andamento com as quais estou genuinamente empolgado. Mas prefiro falar sobre as coisas quando elas estiverem realmente acontecendo.

Quanto aos artistas que venho acompanhando, não penso em termos de quem está em alta ou quem é a promessa do momento. Sempre me interessei mais por pessoas que fazem suas próprias coisas e não seguem tendências.

Continuo ouvindo os pioneiros de Detroit e Chicago, mas também artistas da Europa, do Japão e de qualquer outro lugar que tenham algo individual a dizer. Posso tocar um disco de 1988 ao lado de algo lançado ontem se parecer certo. Para mim, o bom techno não tem data de validade.

Quanto ao futuro, não tenho um plano de cinco anos. Continuarei tocando discos, trabalhando com meus amigos e construindo o S.I.D. enquanto me parecer certo.

Comecei isso em 1996 porque amo a música. Quase 30 anos depois, nada mudou nesse aspecto.

Ainda sou o mesmo cara da região do Ruhr, apenas com mais alguns discos e muito mais histórias.

E é exatamente assim que quero manter.

6. Como será para você a sua apresentação em Amsterdã no evento Groomlake Universal e o que significa estar ao lado de artistas lendários de Detroit como DJ Roach e DTM? Isso demonstra sua importância como artista para Detroit e a consolidação da sua conexão entre a Alemanha e Detroit?
Para mim, tocar no Amsterdam Dance Event é uma grande honra, mas dividir o palco com lendas de Detroit como DJ Roach e DTM torna tudo ainda mais especial.

Minha conexão com Detroit já vem de alguns anos. Nunca foi sobre fazer networking por fazer ou usar o nome de uma cidade para construir meu próprio perfil. É sobre música, amizade, respeito mútuo e um entendimento compartilhado do que o techno realmente significa.

Detroit teve uma influência enorme na minha jornada musical, e poder retribuir algo enquanto construo pontes entre Detroit e a Alemanha significa muito para mim. Vejo-me como parte dessa conexão, não como alguém que afirma representar uma cidade inteira ou sua cultura.

No final das contas, é tudo sobre a música, as pessoas por trás dela e manter o espírito vivo — sem hype, sem egos, apenas conexões reais e música underground de verdade.

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Fontes :

Redmadvelvet – Resident Advisor: https://ra.co/dj/redmadvelvet
Instagram: @redmadvelvet

Facebook: https://facebook.com/Redmadvelvet

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