by Mariela Gregori
Em Barcelona, espetáculo mostrou que a força de uma orquestra sinfônica pode ser tão contagiante quanto a de um festival de música eletrônica, com DJs em destaque, vozes potentes e um saxofone que acrescentou personalidade à apresentação.
Na última quarta-feira, 21 de outubro, o Palau Sant Jordi, em Barcelona, foi palco de uma experiência que rompeu as fronteiras entre a música clássica e a eletrônica. O SYNTHONY levou à arena uma apresentação marcada pela energia, pela combinação de diferentes linguagens musicais e por uma orquestra que provou, do início ao fim, que instrumentos clássicos também podem fazer o público dançar.
A proposta do espetáculo ganha força justamente no encontro entre universos que, à primeira vista, parecem distantes. De um lado, a riqueza sonora de uma formação sinfônica; de outro, a presença dos DJs, a intensidade das batidas eletrônicas e a atmosfera coletiva característica das pistas. Em Barcelona, essa combinação não ficou restrita à experimentação musical: transformou-se em uma experiência vibrante, capaz de envolver o público e manter a energia em movimento.

ODYSSAY abre a pista e prepara o público para o espetáculo
Antes de a orquestra assumir o protagonismo, o DJ ODYSSAY ficou responsável por uma etapa fundamental da experiência: o warm-up. Mais do que preencher o tempo que antecede o show principal, essa função é essencial para criar a atmosfera, estabelecer a conexão com o público e preparar gradualmente a pista para os momentos de maior intensidade da noite.

O set incluiu faixas como Castle in the Sky, Sun Goes Down de sua autoria e outras como Somebody That I Used to Know (feat. Kimbra) [4FRNT Remix], mostrando diferentes referências musicais na construção desse aquecimento. A seleção contribuiu para introduzir o público no universo sonoro do evento antes da combinação entre música eletrônica e orquestra sinfônica ganhar força no palco.
Em espetáculos dessa dimensão, o warm-up desempenha um papel estratégico. É o momento em que o público começa a entrar no ritmo da noite, enquanto o DJ trabalha a energia e cria as condições para que a apresentação principal seja recebida com expectativa e envolvimento.
A participação de ODYSSAY reforçou, assim, a importância de pensar a experiência musical como uma jornada completa, que começa antes mesmo da entrada em cena dos principais elementos do espetáculo.
Uma orquestra que também faz dançar
O grande destaque do SYNTHONY foi a maneira como a orquestra assumiu um papel ativo na construção da energia do espetáculo. Longe da imagem tradicional de uma apresentação clássica marcada pela formalidade e pela contemplação, os músicos demonstraram intensidade, movimento e presença de palco.
A execução sinfônica não apareceu apenas como acompanhamento das referências eletrônicas. Ela se tornou parte central da experiência, acrescentando força e novas nuances às composições e mostrando que a música clássica não precisa estar limitada a um ambiente solene para emocionar ou contagiar.
A apresentação evidenciou como os instrumentos acústicos podem dialogar com a linguagem eletrônica sem perder sua identidade. O resultado foi uma combinação em que a expressividade da orquestra e a energia das pistas se complementaram, criando uma atmosfera que convidava o público a participar ativamente do espetáculo.
E o público respondeu. A plateia dançou, acompanhando a intensidade da apresentação e reforçando a proposta de um show que não pretendia apenas ser ouvido, mas também sentido fisicamente.

DJs, vozes potentes e um saxofone de destaque
Se a orquestra estabeleceu a dimensão musical do espetáculo, os DJs contribuíram para manter a conexão direta com a cultura eletrônica. Sua presença foi marcante, garantindo que a apresentação preservasse a energia e a dinâmica associadas aos grandes shows do gênero.

As participações vocais acrescentaram outra camada à experiência. As vozes dos cantores, com interpretações de grande potência, somaram intensidade à formação sinfônica e ajudaram a construir momentos de impacto. A interação entre os vocais, os instrumentos clássicos e a base eletrônica deu ao espetáculo uma identidade própria, sem que um elemento precisasse se sobrepor aos demais.
Outro destaque foi o saxofone, cuja sonoridade trouxe personalidade e expressividade à apresentação. Seu timbre, em diálogo com a orquestra e a música eletrônica, reforçou a riqueza dessa combinação e mostrou como a presença de instrumentos ao vivo pode transformar a percepção de uma composição.
É justamente nessa interação que o SYNTHONY encontra sua força: não se trata simplesmente de colocar uma orquestra ao lado de DJs, mas de criar um ambiente musical no qual cada elemento contribui para uma experiência coletiva.

O Palau Sant Jordi como parte da experiência
Uma apresentação dessa dimensão depende não apenas dos artistas, mas também da capacidade de transformar o espaço em parte integrante do espetáculo. Nesse aspecto, a organização do evento merece destaque.
O aproveitamento da arena e de sua acústica contribuiu para que a proposta musical funcionasse de maneira consistente. O espaço recebeu uma apresentação que exigia equilíbrio entre a potência sonora da música eletrônica, a riqueza de uma orquestra e a presença vocal dos artistas.
A organização soube aproveitar bem as características do Palau Sant Jordi, permitindo que o espetáculo se desenvolvesse com fluidez. Em uma produção que depende tanto da interação entre diferentes fontes sonoras, essa integração é fundamental para que os detalhes da execução não se percam diante da intensidade do conjunto.
O resultado foi uma experiência em que a dimensão do recinto contribuiu para a escala do show, sem tirar o protagonismo da música.

Muito além da fusão de estilos
O SYNTHONY demonstra que a aproximação entre música clássica e eletrônica pode ir além de uma proposta visualmente grandiosa ou de uma simples releitura de repertório. Quando a orquestra, os DJs e os vocalistas compartilham o mesmo espaço musical de forma integrada, o resultado abre novas possibilidades para a experiência ao vivo.
Em Barcelona, a energia dos músicos, a presença dos DJs, a potência das vozes e o destaque do saxofone construíram uma apresentação que convidou o público a redescobrir a força dos instrumentos clássicos em um contexto diferente.
O espetáculo também evidencia uma característica essencial da música eletrônica: sua capacidade de criar experiências coletivas, nas quais a conexão entre som, movimento e público é tão importante quanto a própria execução musical.

Um maestro à frente da orquestra — e conectado ao público local
Outro elemento que merece destaque na apresentação de Barcelona foi a presença do maestro Adrián Ronda-Sampayo, responsável por conduzir a orquestra. Com uma trajetória dedicada a aproximar a música sinfônica de novos públicos, Ronda-Sampayo tem experiência em produções que conectam a tradição orquestral a universos contemporâneos, incluindo espetáculos inspirados em videogames e narrativas audiovisuais.
Além de liderar a formação sinfônica em um espetáculo de grande energia, o maestro conquistou uma conexão ainda mais próxima com a plateia ao se dirigir ao público em catalão, o idioma local.
O gesto acrescentou uma dimensão especial à apresentação, aproximando o espetáculo da identidade cultural de Barcelona e demonstrando sensibilidade ao contexto local. Em um evento que combina diferentes linguagens musicais, essa interação foi além da execução artística: contribuiu para criar um vínculo entre o palco e o público, reforçando a sensação de que aquela apresentação fazia parte da experiência cultural da cidade.
Sua presença reforçou um dos aspectos mais interessantes do SYNTHONY: a necessidade de uma direção musical capaz de integrar diferentes elementos sem comprometer a identidade de cada um. Em um espetáculo no qual a orquestra divide o protagonismo com DJs, vocalistas e instrumentos solistas, a condução assume um papel fundamental para transformar essa diversidade em uma experiência coesa, dinâmica e cheia de energia.
No SYNTHONY, o clássico não ficou sentado na plateia — subiu ao palco, ganhou ritmo e fez Barcelona dançar.
Próximas datas da turnê europeia:
Depois de passar por Barcelona, o SYNTHONY segue sua jornada pela Europa com novas apresentações já programadas. O espetáculo chega a Milão, Munique e Londres nos próximos dias, levando a combinação de orquestra sinfônica, música eletrônica e performances vocais a outros palcos europeus.
- 27 de outubro — Milão, Itália
Compre seus ingressos - 30 de outubro — Munique, Alemanha
Compre seus ingressos - 1º de novembro — Londres, Inglaterra
Informações e ingressos
Para quem busca uma experiência que aproxima a grandiosidade da música sinfônica da energia das pistas, as próximas datas são uma oportunidade de conferir o SYNTHONY ao vivo e descobrir como essa fusão musical ganha vida em diferentes arenas europeias.

