Sob a influência cultural e musical do Rio de Janeiro, Fleming vem construindo sua trajetória na música eletrônica com uma proposta que une sensibilidade, sofisticação e identidade brasileira.
Em meio ao crescimento da cena Organic House no país, o artista aparece como um nome que busca transformar atmosfera em experiência, trazendo para as pistas um som orgânico, instrumental e emocional, marcado também por fortes referências do rock.
Diferente de histórias pautadas por um único momento de “virada de chave”, a música sempre esteve presente em sua vida de maneira natural. Ainda na escola, Fleming já mantinha contato próximo com diferentes sonoridades e, convivendo em uma cidade tão diversa culturalmente quanto o Rio de Janeiro, passou a absorver referências que moldariam sua identidade artística nos anos seguintes.

“Conviver com tantos gêneros e músicos distintos me agregou muito e me tornou um artista aberto a ouvir e experimentar coisas novas”, revela.
Essa liberdade criativa acabou se tornando um dos pilares centrais do projeto. Em vez de seguir fórmulas prontas ou caminhos previsíveis dentro da cena eletrônica, Fleming desenvolveu uma abordagem mais intuitiva e musical para seus sets e produções. “Minha formação como músico me ajuda a não pensar em fazer apenas o óbvio. Não tenho medo de arriscar ou experimentar. Minha cabeça funciona quase como uma banda”, explica o artista.
A proposta se reflete diretamente em sua construção sonora: grooves profundos, atmosferas envolventes, elementos instrumentais e uma preocupação constante com narrativa e emoção. Para Fleming, música eletrônica vai além da pista — ela também funciona como memória afetiva.
“Busco criar emoção, trazer lembranças do passado e criar momentos fortes para ficarem marcados no futuro.”
Essa conexão emocional ganhou força em apresentações recentes do artista, especialmente em um set de aproximadamente sete horas realizado no La Mansa, no Uruguai. Segundo Fleming, a experiência representou um dos momentos mais marcantes de sua trajetória até agora.
“O público estava 100% aberto a ouvir o que eu queria tocar em cada momento. Foi lindo ver a evolução da pista durante tantas horas.”

Com passagens por eventos e destinos como All Day I Dream, Rio Me, Deep Please, Body and Soul, Sky Sunrise Rio, Privilege Búzios, D-Edge Rio, Bar do Meio, Mirante do Boldró e Forte Noronha, além de apresentações em Punta del Este e José Ignacio, o artista vem consolidando aos poucos sua presença em ambientes conectados a uma experiência musical mais sofisticada e imersiva.
Nos estúdios, Fleming também começa a expandir sua identidade artística através das produções autorais. Um dos próximos passos será o lançamento do remix oficial de “Ter Filhos Fortes”, em parceria com a cantora Dora Sanches. Sobre o processo criativo da faixa, o produtor destaca a conexão imediata com a profundidade do vocal.
“Quando recebi o vocal da Dora, gostei de cara pela linguagem poética por trás da música. Acho que as pessoas vão precisar ouvir mais de uma vez para entender tudo o que queremos mostrar naquela track.”
Enquanto muitos artistas brasileiros direcionam seus esforços para o mercado internacional, Fleming segue construindo sua visão de carreira com um olhar diferente. Apesar de referências globais e ambições consistentes dentro da música eletrônica, o artista afirma enxergar o Brasil como o principal território para o crescimento do projeto.
“Eu gosto do Brasil. Me sinto totalmente em casa em qualquer lugar desse país. Meu objetivo é crescer dentro desse mercado brasileiro.”
Entre os sonhos pessoais, o artista cita o desejo de tocar em uma festa do Warung Beach Club e futuramente se apresentar no Rock in Rio — objetivos que refletem não apenas ambição profissional, mas também uma forte conexão emocional com a cultura musical brasileira.
Mais do que construir uma carreira baseada em tendências momentâneas, Fleming parece interessado em desenvolver algo mais duradouro: uma identidade artística capaz de aproximar pessoas através de sensações, memórias e conexão humana.
“Eu gostaria que as pessoas saíssem do meu set sentindo um calor familiar, ou algum sentimento que as aproximasse de mim.”
E talvez seja exatamente isso que comece a posicionar Fleming como um dos projetos mais interessantes dentro da nova geração da música eletrônica nacional.

