A Parallel Society encerrou sua edição de 2026 em Lisboa, Portugal, celebrando pioneiros internacionais e locais da contracultura, música e tecnologia cívica. O encontro de dois dias, realizado nos dias 6 e 7 de março no bairro da Marvila, em Lisboa, reuniu hacktivistas, tecnólogos, pesquisadores, ativistas e artistas em uma exploração ao vivo da sociedade na era digital.
O evento foi baseado no trabalho da Logos, um movimento social e tecnológico que visa revitalizar a sociedade civil e empoderar comunidades por meio de tecnologia descentralizada e blockchain. Os participantes interagiram com protótipos reais de autogoverno e autonomia digital, explorando alternativas aos sistemas estatais tradicionais e fomentando novas práticas culturais e cívicas.
A Parallel Society é uma iniciativa sem fins lucrativos, organizada de forma coletiva e orgânica por uma coalizão emergente de grupos aliados, tanto internacionais quanto locais. Os parceiros da edição de 2026 incluíram Logos, Internet Archive, Tor Project, MoneroKon, Unruly Capital, Venice AI, Gnosis (Circles), DarkFi, Institute of Cryptoanarchy, Above Phone, Kleros, Funding the Commons, Haven, New Economy Institute, Protocol Labs e Common Sense, anteriormente conhecida como EthDAM.
O primeiro dia, 6 de março, foi dedicado à pesquisa colaborativa, experimentação e troca de conhecimento por meio do formato [des]conferência do evento. Os participantes se envolveram em workshops, rodas de discussão, laboratórios de protocolos, hackspaces, sprints de co-design e sessões práticas abrangendo descentralização, privacidade, cultura de código aberto, autonomia da comunidade e gestão de ferramentas. Entre os palestrantes estavam Brewster Kahle (Internet Archive), Dra. Agata Ferreira (Institute of Free Technology), Amir Taaki (DarkFi), Dave Stann (True Count Tech), Fatemeh Fannizadeh, Francesco Moiraghi (Unruly Capital), Guy-Louis Grau (Keycard), Harry Halpin (Nym Technologies), Igor Sirotin (Logos), Jarrad Hope (Logos), Pavel Zoneff (Tor), Rose O'Leary (DarkFi), Siaka Stevens (Sherbro Alliance Partners) e Vít Jedlička (The Free Republic of Liberland).
Um dos destaques do primeiro dia foi o lançamento da Logos Testnet v0.1, que ofereceu aos participantes um ambiente ao vivo para experimentar ferramentas de governança e coordenação digital com foco na privacidade. A ativação permitiu que construtores, comunidades e formuladores de políticas testassem alternativas resilientes aos sistemas legados em tempo real.
O espírito do primeiro dia ficou evidente quando Pavel Zoneff, da Tor, apresentou uma campanha de financiamento coletivo dedicada a apoiar a infraestrutura para a liberdade na internet. A campanha é liderada pela Tor e pela Funding the Commons e apoiada por uma coalizão de parceiros das áreas de privacidade, criptomoedas e código aberto, incluindo a Logos. A campanha beneficia organizações e ferramentas que apoiam o jornalismo seguro, as comunicações privadas, as tecnologias anti-censura e a infraestrutura de preservação da privacidade usada por milhões de pessoas em todo o mundo.
O segundo dia, 7 de março, transformou a Parallel Society em uma vibrante celebração cultural. A programação apresentou talentos internacionais e locais em música eletrônica, experimental ao vivo e performances ao vivo. Entre os artistas estavam DJ Stingray 313, Los Bitchos, Gayance, Kokeshi, Violet, Kaitlyn e Pearlmitted, SoundPreta, Apparat, Gilles Peterson com MC Rob Galliano, Clark, Moses Boyd, Calibre, Kode9, Maria Amor e Shcuro, Chima Isaaro, Nelson Makossa e Collective Unconscious. Três projetos de destaque, selecionados por meio de uma chamada aberta, também se apresentaram: Albin, Abajour Nonok e ϙue, equii e Olena Bublyk. Os parceiros da coalizão cultural Fábrica Moderna, Rare Effect, Manja, Radio Quantica e COOP apoiaram a programação. Relembre os sets de Los Bitchos, Kode9, Apparat, Moses Boyd, Calibre e Gilles Peterson com MC Rob Galliano abaixo:
Louisa Haining, Diretora de Curadoria, comenta:
“Ao longo dos dois dias, a experiência tornou-se algo maior do que esperávamos. Pessoas de diferentes cantos do mundo, diferentes perspectivas, diferentes vertentes sonoras. Artistas de vários gêneros, ao lado de pioneiros locais que impulsionam incansavelmente a cena underground de Lisboa. Quase nenhum celular na pista de dança. Apenas pessoas de mente aberta, curiosas, presentes, celebrando.”
Com mais de 60% do elenco composto por talentos sediados em Lisboa, a Parallel Society reforçou o seu compromisso em fomentar a criatividade local, conectando-a com inovadores globais.
O evento também contou com uma exposição no local, com curadoria da Logos, apresentando obras de João Cardoso (Cardoz), Ana Tortos, Batu, João Magalhães, Tomás João (Nature The Artist) e Collective Unconscious. A exposição explorou redes como formas sociais e escultóricas, destacando a governança emergente, o anonimato e os processos participativos por meio de vídeo, animação, instalação e som.
A Parallel Society 2026 encerrou com um forte senso de comunidade, experimentação e a busca contínua por alternativas para a tecnologia, a cultura e a vida cívica. O evento demonstrou o potencial de redes descentralizadas, colaboração criativa e governança coletiva como práticas tangíveis, gerando um impacto duradouro tanto nos participantes quanto no público.
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