by André Luiz Andreller
Chuva não diminui energia do terceiro dia, que consagra Calvin Harris e termina com MEDUZA em apresentação especial no Palco New Dance Order a.k.a. NDO .
Calvin Harris transforma chuva em combustível para uma noite eletrônica no Palco Mundo.
A chuva não conseguiu diminuir a energia do público no terceiro dia do Rock in Rio. Mesmo com a intensidade aumentando ao longo da noite, a Cidade do Rock permaneceu movimentada e encontrou na música eletrônica um dos grandes combustíveis para atravessar mais uma jornada de festival.
O grande nome da noite foi Calvin Harris, headliner do Palco Mundo, que entregou um espetáculo à altura de sua trajetória e transformou o principal palco do Rock in Rio em uma gigantesca pista de dança .

Antes de chegar aos grandes shows, porém, a experiência de circular pela Cidade do Rock revelou também os diversos ambientes que fazem parte do festival. Na loja oficial, a variedade de produtos chamou atenção, com opções que vão de itens colecionáveis a peças de vestuário. Entre tantas possibilidades, ficou até difícil resistir à ideia de levar um casaco para guardar como lembrança daquela edição.
Nos intervalos das apresentações, foi possível conhecer outros espaços do festival. O estande da Coca-Cola, sempre movimentado por DJs, manteve o público no clima de festa. Já no espaço da Movida, encontrei a DJ carioca Caroles, amiga de longa data e uma das artistas que vêm se destacando na cena eletrônica do Rio de Janeiro.






Acima flagrantes de Loja e ativações Coca-Cola no Rock in Rio 2026, 6 de setembro de 2026
Caroles mostrou justamente uma de suas principais características: versatilidade. Acostumada à linguagem da música eletrônica, ela também transitou pelo open format para estabelecer uma comunicação mais ampla com o público do festival. O espaço da Movida ainda oferecia uma vista privilegiada para o Palco Sunset, um ponto estratégico para quem aguardava a apresentação de Ne-Yo.

Nelly revisita a era de ouro dos anos 2000
Às 19h, pontualmente, o Palco Mundo recebeu Nelly, que transformou a apresentação em uma viagem pelos grandes sucessos dos anos 2000.
No Rock in Rio, o artista revisitou esses clássicos e ainda surpreendeu ao incorporar elementos de rock e música brasileira ao espetáculo. Em determinado momento, utilizou uma MPC ao vivo e colocou o público para cantar “Eu Só Quero Ser Feliz”, de Cidinho & Doca.
O momento provocou um verdadeiro terremoto na Cidade do Rock.
Nelly ainda costurou referências a outros grandes nomes da música, com passagens por Michael Jackson, Hall & Oates e Journey, criando uma apresentação que funcionou como uma retrospectiva musical.

SOFI TUKKER leva energia e guitarra ao New Dance Order
A programação eletrônica começou com SOFI TUKKER, formada por Sophie Hawley-Weld e Tucker Halpern.
O duo ganhou projeção internacional ao combinar house, pop e elementos de diferentes culturas. Sophie, que possui uma forte relação com o Brasil e canta em português, ajudou a aproximar o projeto do público brasileiro. “Drinkee”, um dos maiores sucessos da dupla, foi construída a partir de um poema do brasileiro Chacal e recebeu indicação ao Grammy.
No New Dance Order, um problema técnico atrasou a apresentação em aproximadamente 15 minutos. A equipe do festival conseguiu solucionar a questão e o show começou mantendo a energia esperada.
Sophie foi um dos grandes destaques. Além do vocal, utilizou a guitarra em diversos momentos, mostrando uma presença de palco bastante expressiva. Um dos pontos altos foi seu vocal sobre uma base de “Million Voices”, de Otto Knows.
O resultado foi uma apresentação marcada por grooves, swing e muita interação.

Calvin Harris: o maestro do Palco Mundo
Se o terceiro dia tinha um nome para encerrar a noite em grande estilo, era Calvin Harris.
O DJ, produtor e compositor escocês é um dos nomes mais influentes da música eletrônica nas últimas duas décadas. Desde o início da carreira, Harris construiu uma ponte entre a música eletrônica e o pop, trabalhando com artistas como Rihanna, Ellie Goulding, Dua Lipa, Sam Smith e Florence Welch.
Seu repertório ajudou a definir o som da música eletrônica que dominou as pistas e as rádios ao longo dos anos 2010. Hits como “Summer”, “Feel So Close”, “This Is What You Came For”, “Outside” e “I Need Your Love” fizeram de Harris um dos produtores mais reconhecidos mundialmente.
No Rock in Rio, ele mostrou por que foi escolhido como headliner da noite.
Desde os primeiros minutos, Calvin Harris assumiu o controle do Palco Mundo como um verdadeiro maestro. O público cantou praticamente o tempo inteiro, enquanto o produtor conduzia uma sucessão de grandes momentos da música eletrônica.
A abertura veio com “Sweet Nothing”, uma das colaborações mais marcantes de Harris com Florence Welch. Logo depois, a pista ganhou outra dimensão com “Pjanoo”, clássico de Eric Prydz.
A partir daí, o set se transformou em uma verdadeira coleção de hinos.
“Outside”, parceria com Ellie Goulding, e “I Need Your Love” foram alguns dos momentos de maior resposta do público. Harris também apresentou versões especialmente trabalhadas para o festival, dando nova dinâmica a músicas que já fazem parte da memória afetiva de milhões de fãs.
Outro momento de destaque veio com “Hey Boy Hey Girl”, clássico do The Chemical Brothers, que ganhou espaço dentro da construção do set.
Mas um dos pontos inevitáveis da apresentação foi “We Found Love”, parceria de Calvin Harris com Rihanna. A música, lançada em 2011, se tornou um dos maiores sucessos da carreira de ambos e ajudou a consolidar definitivamente a presença de Harris no universo pop mundial.
No Rock in Rio, o hit foi recebido como um verdadeiro hino.
Mais do que simplesmente tocar seus sucessos, Calvin Harris mostrou domínio absoluto da dinâmica de um grande palco. Soube alternar momentos de explosão com passagens melódicas e, principalmente, manteve uma comunicação constante com uma multidão que enfrentava a chuva para permanecer diante do Palco Mundo.
E foi justamente no encerramento que a apresentação ganhou um significado especial.
Calvin Harris terminou o show com “Levels”, de Avicii.
A escolha funcionou como uma homenagem ao amigo e colega de cena que morreu em 2018. Avicii foi uma das figuras mais importantes da história recente da música eletrônica, e “Levels” permanece como um dos maiores símbolos de seu legado.
Ver Calvin Harris colocar aquela música no encerramento de sua apresentação no Rock in Rio foi um daqueles momentos que ultrapassam a lógica de simplesmente tocar um hit.
Era uma homenagem.
Era memória.
E era também uma forma de manter Avicii presente em uma noite que celebrava justamente a força da música eletrônica.



Liu mantém a pista em movimento debaixo da chuva
Depois do grande espetáculo de Calvin Harris, a programação do New Dance Order continuou.
Liu, um dos nomes da nova geração da música eletrônica brasileira, manteve a vibração da pista mesmo com a chuva mais intensa.
Seu trabalho transita principalmente pelo Bass House e por diferentes vertentes da música eletrônica, e sua carreira ganhou projeção a partir de lançamentos e colaborações que o colocaram entre os artistas brasileiros de destaque da cena.
No festival, apresentou um set bastante energético. Uma das passagens que chamou atenção foi sua versão de “Aria”, de Argy e Omnia, em edição assinada por Mozix.
“Sem Chão”, de Dubdogz e Watzgood, e “Céu” também apareceram entre os momentos de destaque.
Mesmo com as condições adversas, Liu conseguiu manter a pista conectada.

Brisotti e Viot apresentam o universo de Casa Bonita
Na sequência, Brisotti e Viot apresentaram o projeto Casa Bonita, que tem como conceito central a sensação de pertencimento na pista de dança.
A proposta é simples e poderosa: fazer com que todos se sintam em casa.
Essa identidade esteve presente também nos telões, que reproduziram elementos visuais associados à label Casa Bonita.
Musicalmente, a dupla apostou em um tech house marcado por linhas de baixo fortes. Logo no início, uma releitura de “Você Não Soube Me Amar”, clássico da Blitz, assinada por Viot, criou uma conexão interessante entre a história da música brasileira e a linguagem eletrônica contemporânea.
“Good Time” também apareceu como um dos destaques, assim como uma versão de “Shout” em uma leitura mais próxima do melodic house e techno.
Apesar da chuva pesada, Brisotti e Viot mantiveram a entrega. O projeto mostrou uma conexão orgânica entre os dois artistas e reforçou a proposta de transformar a pista em um espaço de pertencimento.

MEDUZA: uma reunião especial para encerrar a noite eletrônica
Quando parecia que a noite já havia chegado ao fim, o New Dance Order ainda reservava um de seus momentos mais especiais.
O MEDUZA entrou no palco depois do encerramento do Palco Mundo. O início da apresentação foi ligeiramente adiado para que o público pudesse se reorganizar após a chuva intensa.
Formado em Milão por Luca de Gregorio, Mattia Vitale e Simone Giani, o MEDUZA se tornou um dos projetos mais importantes do house italiano na última década.
O trio surgiu em 2018 e alcançou projeção mundial rapidamente. A explosão veio em 2019 com “Piece of Your Heart”, parceria com Goodboys. A faixa se transformou em um fenômeno global, recebeu indicação ao Grammy e colocou definitivamente o MEDUZA entre os grandes nomes da música eletrônica internacional.
Na sequência veio “Lose Control”, novamente com Goodboys, desta vez ao lado de Becky Hill, consolidando ainda mais a presença do trio nas pistas e nas paradas mundiais.
O que torna a apresentação do Rock in Rio ainda mais especial é que o trio raramente aparece reunido nesse formato. Os três integrantes se uniram especialmente para a apresentação no festival.
E a abertura não poderia ser mais simbólica: “Lose Control”.
A pista respondeu imediatamente.
“Edge of the World” também fez a base de fãs do trio vibrar, enquanto outras produções autorais foram intercaladas com faixas de artistas consagrados, como “So Good”, do CamelPhat.
Um dos momentos mais interessantes veio com “Tell Me Why”, do Supermode, executada com teclado ao vivo.
Esse detalhe ajudou a revelar uma característica importante do projeto: o MEDUZA não se limita a uma apresentação convencional de DJs. A formação dos integrantes permite incorporar instrumentos, setups individuais e elementos de performance ao vivo.
“Don't Wanna Go Home” traduziu bem essa identidade, com forte presença de vocais e melodias.
E, para fechar, veio o grande clássico: “Piece of Your Heart”.
A faixa ganhou uma nova dimensão no formato live, com instrumentos sendo executados ao vivo e destaque para a bela melodia de piano tocada naquele momento.
Quando o público já imaginava que tudo havia terminado, veio o bis.
Mais uma vez, “Lose Control”.

Uma noite comandada pela música
O terceiro dia do Rock in Rio foi marcado pelo contraste entre a chuva e a energia do público. Nelly trouxe nostalgia e hits dos anos 2000; SOFI TUKKER mostrou sua mistura de música eletrônica, vocal e guitarra; Liu, Brisotti e Viot mantiveram a pista viva mesmo diante das condições adversas; e o MEDUZA encerrou a programação eletrônica com uma apresentação especial.
Mas o grande protagonista da noite foi Calvin Harris.
Como headliner, o escocês cumpriu o papel de comandar o maior palco do festival e entregou uma apresentação construída em torno de hits que atravessaram gerações da música eletrônica e do pop.
Da explosão de “Sweet Nothing” à homenagem a Avicii com “Levels”, Calvin Harris transformou o Palco Mundo em uma enorme pista de dança.
E talvez esse tenha sido o melhor resumo do terceiro dia: mesmo quando a chuva apertou, ninguém quis ir embora.

Flagrantes clicks e vídeos no RiR2026 – Rock in Rio 2026, 6 de setembro de 2026:
Curadoria musical palco New Dance Order by diretor artístico Cláudio Rocha Miranda

