Eli Iwasa chega ao ADE 2026 com estreia no Gashouder, presença em painéis e festas que marcam a programação.
Para Eli Iwasa, a edição de 2026 do Amsterdam Dance Event (ADE) – maior encontro anual do mercado de música eletrônica em todo o planeta – será mais do que especial: a artista brasileira estará presente em dois painéis da conferência oficial e em três festas durante a semana, consolidando uma agenda que traduz a dimensão que sua carreira alcançou fora do Brasil.
Entre 21 e 23 de outubro, Eli passará por diferentes ambientes do ADE, de debates sobre o crescimento da música eletrônica brasileira no mercado internacional a uma discussão sobre os caminhos para que artistas e ecossistemas do chamado Sul Global tenham participação mais equilibrada na indústria. Ela também está entre os artistas destacados na publicação de “The Electronic Music Book”, livro dedicado à história da música eletrônica que será lançado durante a conferência.
No meio disso, ainda terá três apresentações como DJ, incluindo sua aguardada estreia no Gashouder, no dia 23, pela Mochakk Calling.
Esta, entretanto, não se trata da primeira passagem de Eli pelo ADE – tampouco de sua primeira participação em uma conferência do evento. Sua relação com Amsterdã é antiga: ela já esteve no festival em diferentes momentos de sua carreira e, em 2019, integrou o painel “Demolition XXIV”, ao lado de nomes como Dave Clarke, Joseph Capriati, Todd Terry e Kristin Velvet, avaliando demos de produtores durante a programação do ADE Sound Lab, no mesmo ano também tocou na festa da label Life and Death, no Thuishaven.
Agora, porém, ela retorna à capital holandesa em outro momento profissional. Aos 25 anos de carreira, Iwasa vive uma fase de internacionalização particularmente intensa, na qual sua trajetória como DJ se encontra com sua experiência na construção da cena brasileira – seja à frente de clubes, festas e projetos, seja através da curadoria e da defesa de uma cultura de pista baseada em identidade musical.
Brasil no centro da conversa
A agenda começa na quarta-feira, 21 de outubro, com o painel “Brazil Calling: How a New Generation of Selectors, Clubs and Labels is Taking Over Global Electronic Music”, no Felix Meritis.
A conversa parte de uma constatação que também ajuda a explicar a presença de Eli no encontro: o Brasil deixou de ser percebido apenas como um mercado capaz de exportar alguns DJs de grande projeção e passou a ser observado como um ecossistema próprio, com artistas, selos, clubes, comunidades e uma cultura de pista cada vez mais conectada ao circuito internacional.
Mochakk e Solarce Brothers estão entre os nomes já confirmados para a discussão, que pretende abordar justamente essa transformação e o surgimento de uma nova geração brasileira baseada em cultura de DJ, pesquisa musical, identidade e conexão com as comunidades locais.
É um debate no qual a trajetória de Eli Iwasa acrescenta uma perspectiva diferente: antes de a nova geração brasileira conquistar grandes palcos internacionais, ela já estava construindo clubes, pistas, festas e comunidades no país.
Sua história passa por projetos como Lov.e, CAOS, Club 88, Galerìa 1212 e Písta 2002, além da residência no já saudoso Warung Beach Club e da criação da Heels of Love. Ao longo de mais de duas décadas, Eli ocupou simultaneamente diferentes posições dentro da cultura eletrônica – de DJ a empresária, curadora e agente de transformação da cena.
É justamente essa experiência acumulada que ganha novo contexto quando ela se senta ao lado de artistas que representam a atual projeção internacional brasileira.
Do Brasil para o Sul Global
Na quinta-feira, 22, Eli volta ao Felix Meritis para participar de “Global South: From Extraction to Exchange”, ao lado de Phiona Okumu (Head of Music do Spotify para a África Subsaariana), com mediação de Leila Fataar.
O painel desloca a discussão para uma questão maior: como fazer com que o crescimento do interesse internacional por cenas musicais da América Latina, África e região MENA (Oriente Médio e Norte da África) gere intercâmbio e desenvolvimento recíprocos, em vez de uma relação baseada apenas na extração de valor cultural.
O debate parte do reconhecimento de que esses territórios já influenciam decisivamente a música que o mundo ouve, mas que oportunidades, investimentos e propriedade intelectual nem sempre circulam na mesma direção que a música. A conversa pretende discutir justamente como artistas, gravadoras, plataformas, festivais, marcas e mídia podem contribuir para fortalecer os ecossistemas locais.
A participação de Iwasa ganha peso nesse contexto justamente por ela não falar apenas como artista. Sua trajetória foi construída também dentro da infraestrutura da música eletrônica brasileira: administrando clubes, criando eventos, desenvolvendo artistas, ocupando espaços de curadoria e defendendo uma cena local que, durante muito tempo, precisou construir suas próprias condições para existir.
Três festas, três contextos
Entre os compromissos de conferência, Eli Iwasa também terá três apresentações em Amsterdã. No dia 21, ela estará no showcase da Dogghauz com a Insomniac, no Do Not Disturb, onde se apresenta das 03h30 às 05h em B2B com Halfcab. Dois dias depois, no dia 23, toca no The Loft, onde assume o horário das 17h às 18h30, entre NoCapz e o B2B de Sammy Virji com Mochakk.
No mesmo dia, fará sua estreia no Gashouder, um dos endereços mais emblemáticos do ADE, integrando o lineup da Mochakk Calling ADE em um B2B inédito com a DJ colombiana radicada em Barcelona ISAbella.
Depois de frequentar o local durante anos como público, ela finalmente ocupará a pista do Gashouder como artista. A própria Eli já resumiu o significado da ocasião ao falar sobre o convite: voltar a um espaço onde esteve tantas vezes para dançar durante seus anos de ADE, desta vez para tocar, carrega uma série de significados pessoais e profissionais.

Agenda de Eli Iwasa no ADE 2026
21/10: Painel: “Brazil Calling: How a New Generation of Selectors, Clubs and Labels is Taking Over Global Electronic Music” (Felix Meritis)
21/10: Festa: Dogghauz + Insomniac @ Do Not Disturb 03h30 – 05h00 – Eli Iwasa B2B Halfcab
22/10: Painel: “Global South: From Extraction to Exchange (Felix Meritis)
23/10: Festa: The Loft (The Loft)
23/10: Festa: Mochakk Calling ADE (Gashoulder)
Mais sobre Eli Iwasa
Quando se fala em música eletrônica nacional, Eli Iwasa é logo mencionada, seja por seu pioneirismo ou pelo feito de se manter ativa nesta cena há mais de 20 anos. Além de tocar nos maiores eventos do Brasil e do mundo, como Lollapalooza, Rock in Rio e Time Warp, é sócia de três clubes que ajudaram a moldar o cenário eletrônico da região de Campinas – CAOS, Gate 22 e Club 88 –, bem como da Galerìa 1212 e do Písta 2002.
Ao lado de lendas internacionais como Todd Terry, Dave Clarke e Joseph Capriati, foi a única jurada brasileira de um concurso de produtores musicais no Amsterdam Dance Event (maior conferência de música eletrônica do mundo, em Amsterdã), e tocou na festa da label Life and Death (uma das mais icônicas do Velho Continente). Em 2019, ganhou um episódio na série “Quando Elas Tocam”, do Canal BIS, e foi indicada por três anos consecutivos ao prêmio de melhor DJ pelo Women's Music Event Awards (maior premiação feminina do país).
Em 2024, Eli passou por países como Espanha, Alemanha, Polônia e Reino Unido, tocou em eventos como Time Warp New York, Brunch Electronik e Garbicz Festival, além de clubes como o Hï Ibiza. No Brasil, brilhou em festivais como Rock in Rio, DGTL São Paulo e Time Warp São Paulo.
No mesmo ano, ao lado de Priscila Prestes, estreou sua própria gravadora, Heels of Love, lançando a faixa “Juicy Bar”, em collab com a DJ polonesa GIGEE, e entregou “Absolut Party”, parceria com Mau Maioli pela CORE Records. Iwasa também apresentou sua primeira coleção de roupas, “Eli Iwasa + Pornograffiti”, reforçando a conexão entre música eletrônica e moda.
Em 2025, revisitou o hit “What You Gonna Do”, do Bleeping Sauce, em novo EP pela Heels of Love, e percorreu Indonésia, México, Estados Unidos, Paraguai, Itália, Egito, Emirados Árabes e Geórgia (onde se apresentou no icônico Bassiani), em turnê internacional. Em paralelo, seguiu com agenda aquecida pelo Brasil, incluindo o Tomorrowland.
Para 2026, já desponta como uma das atrações do SXM Festival, em Saint Martin, no Caribe, ao lado de nomes como Carl Cox, andhim e Cristoph.
Além da carreira como DJ, conduz o projeto Closer, que leva sua assinatura de inovação por todo o país, e integra o casting da Mega Model.
=> Instagram @eliiwasa.

