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Eventos

ADE 2026 nas pistas

By Conteúdo Digital29 outubro, 2026Updated:29 outubro, 2026Nenhum comentário10 Mins Read
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by Lucas Yamashita

ADE 2026 nas pistas: de Jean-Michel Jarre ao Monolith de David Guetta.

A edição de 30 anos atravessou gerações e estilos em cinco dias de shows, showcases e festas por Amsterdã, com passagens por AFAS Live, Ziggo Dome, Johan Cruijff ArenA, Sugarfactory, The Loft, Escape Club, entre outros.

O Amsterdam Dance Event completou 30 anos reafirmando aquilo que o tornou único:
nenhuma outra semana reúne, em uma mesma cidade, tamanha diversidade de artistas, formatos e espaços dedicados à música eletrônica.

Entre 21 e 25 de outubro, a cobertura da DJSound passou por concertos audiovisuais,
showcases de gravadoras, noites de techno, encontros de progressive house e grandes
produções de arena. O resultado foi um retrato amplo de uma cena que respeita seus
pioneiros, mas permanece em constante transformação com o mundo em evolução.

Jean-Michel Jarre conecta passado e futuro
A abertura da nossa cobertura noturna aconteceu na quarta-feira, 21 de outubro, no
AFAS Live, com Jean-Michel Jarre. Convidado de honra do ADE 2026, o produtor francês
celebrou simultaneamente os 30 anos do evento e o cinquentenário de Oxygène, obra decisiva para a popularização da música eletrônica.

A apresentação esgotada foi construída como uma experiência imersiva, com grandes painéis de LED, projeções, lasers e diferentes máquinas utilizadas para criar sons e batidas. Em vários momentos, Jarre falou sobre a relação entre seres humanos e
tecnologia, defendendo que o público não deveria temer as novas ferramentas, incluindo
a inteligência artificial.

As imagens de robôs dançando nos painéis reforçaram a ideia de que humanos e máquinas não precisam ocupar lados opostos. No universo de Jarre, a tecnologia sempre funcionou como extensão da criatividade.

O momento mais simbólico ocorreu com a entrada surpresa de Armin van Buuren.
Juntos, eles apresentaram “Stardust”, parceria lançada originalmente no álbum
Electronica 1: The Time Machine. A presença de Armin transformou a faixa em uma
celebração da influência de Jarre sobre diferentes gerações de produtores e sobre a
tradição da música eletrônica neerlandesa.

Pela combinação entre legado, inovação e impacto visual, o concerto se tornou um dos
grandes destaques da edição.

Armada, STMPD RCRDS, V Sessions e KI/KI
A quinta-feira começou na sede da Armada Music, durante a edição especial de número
1300 do A State of Trance. Depois da programação de rádio e da entrevista com Jean-Michel Jarre, Armin van Buuren assumiu o The Club para uma apresentação especial
diante de um público reduzido. Mais tarde, o AFAS Live recebeu a celebração de dez anos da STMPD RCRDS. O evento reuniu nomes como Martin Garrix, R3HAB, DubVision, Julian Jordan, Matisse & Sadko, Third Party, Mesto e Justin Mylo, entre outros artistas ligados ao selo. Martin Garrix comandou o encerramento em clima apoteótico. Além da força dos sucessos de seu repertório, convidados vocais passaram pelo palco, dando ao show uma dimensão próxima à de um grande concerto de celebração da história da gravadora.

A noite também contou com a V Sessions, de Yves V, no The Tequila Club. A programação combinou apresentações individuais e encontros em formatos b2b e b3b,
com artistas como Dimitri Vangelis & Wyman, Sick Individuals, Stadiumx, Diego Miranda e Cuebrick.

No Ziggo Dome, KI/KI apresentou seu formato de cinco horas. A artista conduziu uma performance intensa, transitando entre acid techno, trance e sonoridades mais pesadas diante de uma arena lotada. O longo formato permitiu desenvolver a energia de maneira progressiva, em vez de depender apenas de uma sequência de momentos de impacto.

Tomorrowland Expo conecta o ADE às próximas edições na Tailândia e no Brasil
Além dos clubes e grandes arenas, a cobertura também passou pela Tomorrowland
Expo, realizada entre 21 e 24 de outubro no histórico De Rode Hoed, no centro de
Amsterdã. Com entrada gratuita, a exposição apresentou diferentes capítulos do universo criado pelo festival, com espaços dedicados ao Tomorrowland Belgium, Tomorrowland
Winter, Tomorrowland Brasil e à aguardada estreia do Tomorrowland Thailand.

Mais do que uma retrospectiva, a Expo mostrou como o Tomorrowland se transformou em uma plataforma global de música, entretenimento, cenografia e experiências. Cada ambiente reproduzia parte da identidade visual e da atmosfera de suas respectivas edições, permitindo ao público percorrer os diferentes destinos da marca em um único espaço. A programação também contou com loja exclusiva, ativações especiais e o Lab of Tomorrow, dedicado a projetos e inovações que podem influenciar o futuro do festival.

A One World Radio, emissora oficial do Tomorrowland, transmitiu diretamente do local durante três dias, recebendo artistas como Armin van Buuren, Nicky Romero, Joris
Voorn, Kölsch, Amber Broos, Kevin de Vries e Miss Monique para entrevistas e apresentações.

Na sexta-feira, às 18h, Miss Monique assumiu a cabine para um set estendido diante de
um público intimista. A artista ucraniana gravou ao vivo uma edição especial do
Tomorrowland Friendship Mix, posteriormente transmitida para ouvintes de diferentes
países pela One World Radio.
Com sua combinação característica de progressive house e melodic techno, Miss
Monique transformou o ambiente da exposição em uma verdadeira pista. A proximidade entre artista e público trouxe uma dinâmica diferente das grandes apresentações de festival, sem perder a intensidade e a construção melódica que marcaram sua ascensão internacional. A apresentação também reforçou a forte ligação da DJ com o Tomorrowland. Em julho,
ela havia estreado o espetáculo audiovisual Biorhythm no Freedom Stage e se
apresentado no Mainstage da edição belga.

No ADE, o formato reduzido revelou outro
lado de sua performance, mais próximo do público e perfeitamente integrado à proposta da One World Radio.

A Expo ainda funcionou como uma prévia dos próximos passos internacionais do
Tomorrowland. Entre 11 e 13 de dezembro de 2026, o festival realizará sua primeira
edição completa na Ásia, no Wisdom Valley, próximo a Pattaya. O Tomorrowland Thailand contará com seis palcos, incluindo versões do Mainstage, CORE e Freedom, levando a produção e a narrativa visual da marca ao continente asiático.

O público brasileiro também já tem um novo encontro confirmado. O Tomorrowland Brasil retornará ao Parque Maeda, em Itu, no estado de São Paulo, entre 30 de abril e 2 de maio de 2027. A edição terá três dias de programação e mais de 150 artistas distribuídos por diferentes palcos imersivos.

Ao reunir memória, música ao vivo e os próximos destinos da marca, a Tomorrowland
Expo mostrou que sua presença no ADE vai além de uma ativação promocional. O espaço conectou a história construída na Bélgica à expansão do festival pela Ásia e pela
América do Sul, oferecendo ao público uma visão concreta dos próximos capítulos desse
universo.

A festa da elrow e uma noite marcada por tensão
Na sexta-feira, a elrow retornou ao De Kromhouthal com Dance with the Serpent,
produção criada em colaboração com o artista austríaco NYCHOS. Como de costume, cenografia, personagens, cores e elementos surreais transformaram o espaço em um universo paralelo.

Musicalmente, a festa manteve sua proposta energética e divertida. Entretanto, a
experiência foi seriamente prejudicada por episódios envolvendo spray de pimenta na pista.

Por volta das duas da manhã, o produto foi lançado no meio do público, provocando
correria, dificuldade para respirar e um esvaziamento repentino de parte da pista. Outras situações de tensão ocorreram ao longo da madrugada. Na entrada do evento, não houve revista em muitos participantes, o que prejudicou seriamente a segurança diante desse tipo de risco.

Os acontecimentos não ficaram restritos a relatos isolados. A imprensa especializada
confirmou ocorrências envolvendo spray de pimenta e tentativas de roubo na elrow e em outras festas da semana. Segundo a Residente Advisor, pelo menos quatro eventos do ADE registraram episódios semelhantes. Não houve relato de feridos graves, mas
algumas pessoas precisaram de atendimento e deixaram os espaços.

A segurança não pode ser tratada como detalhe operacional. Situações como essa comprometem a experiência coletiva e exigem revistas mais consistentes, equipes preparadas e melhor comunicação entre produtores, espaços e autoridades.

Joris Voorn e a força da Sugarfactory
O sábado começou com Joris Voorn apresentando Trip to Galaxy pela Awakenings, na Sugarfactory. O evento diurno reuniu também Jeff Mills, Grace Dahl, Blasha & Allatt,
BIANKA e Beste Hira.

Com o espaço cheio, Joris Voorn construiu uma das experiências musicais mais consistentes do fim de semana. Seu domínio de progressão, textura e dinâmica mostrou por que o produtor continua sendo um dos nomes mais respeitados da cena
neerlandesa.

AMF transforma a Johan Cruijff ArenA em um clube monumental
O AMF foi o grande espetáculo de arena da edição. Realizado na Johan Cruijff ArenA, o
evento esgotado reuniu cerca de 40 mil pessoas e uma programação que atravessou
melodic techno, EDM, trance, hard dance e techno.

Korolova abriu o programa principal com uma seleção melódica e envolvente. Na
sequência, ARTBAT elevou o peso e a tensão, preparando o terreno para Afrojack, que
combinou suas batidas de grande escala com um solo de piano.

Armin van Buuren assumiu depois do momento comemorativo dedicado aos 30 anos do ADE. Sua apresentação reforçou a ligação histórica com o AMF e com a expansão global da dance music neerlandesa.

A atração mais aguardada, entretanto, foi David Guetta. Depois de muitos anos longe do palco do AMF, o francês levou o conceito Monolith à ArenA. A estrutura de painéis suspensos mudou de configuração para formar o monólito vertical da turnê. Projeções,
iluminação, fogos de artifício e grandes clássicos do EDM foram combinados com
elementos que remetiam às produções de Ibiza, incluindo balões flutuantes e uma
performance acrobática integrada ao ritmo do show.

David Guetta

Guetta ainda dividiu a cabine com Marlon Hoffstadt em um b2b que aproximou duas
gerações e diferentes linguagens da música de pista. Hoffstadt retornou depois para seu set individual, seguido por Amelie Lens, que conduziu o techno na reta final. O
encerramento oficial ficou a cargo de D-Block & S-te-Fan, levando o hardstyle até o
último minuto.

David Guetta e balões

Em paralelo, a cobertura também passou pelo OUTWORLD, de Klangkuenstler, no Ziggo Dome. O artista apresentou uma longa maratona de hard techno e adotou uma política sem registros em vídeo, com as câmeras dos celulares cobertas na entrada. A proposta ajudou a concentrar a atenção do público na pista e na experiência presencial.

Michael Bibi e HALŌ encerram a jornada

O domingo começou no The Loft, no 16º andar da A’DAM Tower, com Michael Bibi. A
apresentação diurna combinou tech house, proximidade com o público e uma das vistas
mais marcantes de Amsterdã. No alto da torre, o símbolo do ADE reforçava visualmente a celebração de seus 30 anos. A despedida aconteceu no Escape Club com a HALŌ, projeto que reúne DubVision, Matisse & Sadko e Third Party. O repertório mesclou sucessos dos três projetos, progressive house e melodias eufóricas em uma noite que avançou até as quatro da
manhã.

O encerramento ao som de “One More Time” funcionou como uma despedida perfeita:
público e artistas entregando a energia restante depois de cinco dias de música
praticamente ininterrupta.

Michael Bibi
HALŌ

Uma edição capaz de atravessar gerações
O ADE 2026 mostrou que a música eletrônica não precisa escolher entre memória e
renovação. Jean-Michel Jarre representou a geração que abriu o caminho; Martin Garrix
e Armin van Buuren reafirmaram a força internacional da escola neerlandesa; KI/KI,
Amelie Lens, Klangkuenstler e Marlon Hoffstadt evidenciaram a expansão dos sons mais rápidos; e David Guetta demonstrou até onde uma produção eletrônica pode chegar dentro de um estádio.

Foram cinco dias de grandes encontros, deslocamentos intensos e experiências muito
diferentes entre si. Apesar das falhas de segurança que precisam ser enfrentadas, a
edição de 30 anos preservou aquilo que mantém o ADE relevante: a capacidade de reunir toda a história e quase todas as vertentes da música eletrônica em uma única cidade.

CUBE
Klangkuenstler
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